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Gasolina a R$ 7: usuários reclamam da escassez de carros de aplicativo de transporte disponíveis

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30/11/2021 - 06:40:09. - Por Bruno Campos

Quem depende do transporte por aplicativo em Uberaba tem sentido na pele um problema já alertado anteriormente pelo Jornal da Manhã. Com a alta indecente dos combustíveis, muitas pessoas têm optado por deixar os carros na garagem. Inclusive os motoristas dos apps. A escassez de veículos para transporte impacta a demora em conseguir confirmar uma corrida e a baixa oferta, aliada à crescente demanda, leva o preço às alturas. 

O que antes era algo de extrema praticidade, hoje tem sido motivo de queixas e gerador de transtornos. Leitora do Jornal da Manhã relatou que precisou acionar o transporte por aplicativo para se deslocar à empresa onde trabalha, situação corriqueira que atinge milhares de usuários em Uberaba. Contudo, apesar da antecedência reservada, já imaginando que teria dificuldades em encontrar um motorista disponível, ela acabou se atrasando para chegar ao local de trabalho. 

A leitora informou que chegou a passar por uma situação de pânico em relação ao possível atraso, uma vez que ao abrir o aplicativo, não havia nenhum carro em circulação que pudesse aceitar sua corrida. Quando encontrou, tratava-se de um veículo que estava a uma distância considerável do seu local de partida, tendo que esperar ainda mais para conseguir chegar ao destino.

O preço da corrida foi outro susto. Mesmo sabendo que o preço dos combustíveis afeta o transporte por aplicativo, não só de pessoas como também de refeições, a leitora relata que viu o preço da corrida dobrar nos últimos meses. Segundo contou, antes ela pagava cerca de R$ 8 pelo trajeto de sua residência até a empresa, mas ontem a corrida beirou a casa dos R$ 20.

São muitos fatores que tiraram os carros da rua, além do preço dos combustíveis. Com cerca de quinze mil corridas realizadas, Leo Bertholdi é motorista por aplicativo em Uberaba há cerca de três anos. Ele explicou ao Jornal da Manhã que as plataformas trabalham com três fatores quando se trata do preço das corridas. O primeiro deles é uma tarifa fixa, um valor base. Em cima desta base, são cobrados o valor do quilômetro rodado com o passageiro e o tempo gasto durante o percurso.

Bertholdi aponta também que o motorista não recebe para buscar o passageiro, ou seja, o valor do deslocamento até o local de partida não está incluso. Sendo esse, segundo ele, um dos fatores cruciais para que o motorista escolha fazer ou não aquela corrida. Em exemplo citado pela fonte, se o motorista está a dois quilômetros de distância de um passageiro e aceita realizar aquela corrida, estes dois quilômetros até o local de partida saem do bolso do motorista, que só receberá pela corrida a partir do momento em que o passageiro embarca em seu veículo. Ainda segundo Leo, algumas destas plataformas descontam cerca de 35% do valor de cada corrida realizada por seus motoristas.

Questionado a respeito da evasão de motoristas, Bertholdi aponta que, para ele, há fatores positivos e negativos que levam a pessoa a desistir de trabalhar para as plataformas. Dentre os fatores positivos estão as retomadas de empregos antigos, reabertura de negócios próprios ou mesmo ofertas com melhores salários para outras funções. Como fator negativo, Leo aponta os gastos que o motorista tem, principalmente, com o combustível, como o principal. Segundo contou ao JM, ele chega a deixar R$ 3.000 nos postos de abastecimento todo mês.

Leia também: Posto vende combustível mais caro para determinados cartões e incomoda clientes; Procon diz que cobrança é regular

Além deste, a falta de reajustes para os motoristas por parte dos aplicativos também é apontado como fator negativo, uma vez que o motorista continua recebendo o mesmo valor que recebia antes do aumento no valor do combustível. Leo também ressalta que muitos motoristas rodam com carros alugados e que devido ao alto preço nos aluguéis, aliado aos demais fatores negativos antes apontados, muitos têm optado pela desistência em exercer a profissão.

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