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Uberaba, 11 de abril de 2021 -

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Por que as pessoas amam serial killers? Confira 5 casos romantizados

Já reparou como a mídia, a indústria cinematográfica, os internautas e até mesmo os tribunais de Justiça tendem a romantizar assassinos, com ênfase em serial killers? É fato que a violência, em todas

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25/02/2021 - 16:41:56. Última atualização: 09/03/2021 - 21:09:12.

Já reparou como a mídia, a indústria cinematográfica, os internautas e até mesmo os tribunais de Justiça tendem a romantizar assassinos, com ênfase em serial killers? É fato que a violência, em todas as suas vertentes, gera audiência e que o homem se interessa pelas nuances obscuras de outros homens. Talvez esse interesse mórbido tenha lhe trazido até aqui, não é mesmo?

No livro "A indústria cultural hoje", Antônio Zuin afirma que: “(...) Os produtos “culturais” que mais se aproximam da morte, de forma simulada ou não, são os que oferecem aos indivíduos que os consomem o êxtase da sensação de se estar vivo.” Logo, a fascinação pela morte é uma forma de se lembrar da vida?

Outra hipótese para tentar justificar a atração humana pelo mórbido que podemos elencar é que uma das grandes fragilidades da sociedade é a segurança, onde a violência se torna pauta diária dos veículos de comunicação. O telespectador ou leitor encontra facilmente, seja na internet, impresso ou TV, material sobre assassinatos.

Mas, não é só na mídia diária que vemos esses casos. A indústria cinematográfica se apropria dia após dia de casos reais, se dando inclusive a liberdade de torná-los mais atrativos.  No filme “Ted Bundy: A irresistível face do mal”, a produção entrega um belo par de olhos azuis apaixonado por Lily Collins, esquecendo apenas de avisar inicialmente ao telespectador que o protagonista, baseado em um cara real, matou 36 mulheres (ao que se sabe).

Pensando nessas questões, a reportagem separou cinco casos, onde, de alguma forma, houve uma romantização de criminosos. Do verbo romantizar, construir narrativas em forma de romance (suavizar).  

DOCA STREET

Em 30 de dezembro de 1976, Ângela Diniz, popularmente apelidada pelas colunas sociais como a Pantera de Minas, foi assassinada na cidade de Búzios (RJ) pelo namorado Doca Street, após uma discussão.

O primeiro caso, um plus, é o único brasileiro da lista. Vale, logo de início, destacar que Doca Street, assassino condenado pela morte de Ângela Diniz, não era um serial killer. Contudo, o nome dele não poderia deixar de ser inserido, pois mesmo cometendo um crime, Doca ainda conseguiu uma legião de fãs, que “entendiam” o porquê dele ter atirado em Ângela. A narrativa construída pela polícia e pela Justiça também foi a favor de Doca, “Ângela mereceu”. A defesa da honra foi retratada como justificativa de diversas formas. Ângela Diniz, foi colocada como provocadora de seu assassino e o culpado como “um homem desrespeitado”. A mídia constrói e descontrói personagens e o caso da pantera foi um dos impulsionadores da campanha feminista “Quem Ama não Mata”. Hoje, construir um anti-herói dessa forma já não é tão simples. Não?

Deixo como indicação o maravilhoso, não romantizado, podcast “Praia dos Ossos”. Uma narrativa que se aprofundou historicamente dentro do caso. Disponível no Spotify.

TED BUNDY

Entre 1974 a 1978, Ted Bundy sequestrou, estuprou e matou 36 mulheres (homicídios confessos, acredita-se que o número seja maior), em sete estados dos Estados Unidos.

Ted Bundy, serial killer mundialmente famoso, sempre foi vendido como um homem bonito e simpático, o que teria ajudado a atrair um número enorme de vítimas. Contudo, mesmo quando ele já estava preso e as provas já o indicavam como o sádico assassino, mulheres de diversas localidades participaram dos julgamentos, atraídas por uma forma magnética, quase inexplicável. A filha de Bundy foi concebida na prisão, com Carole Ann, mulher apaixonada pelo assassino e que defendeu a inocência dele.

A mídia ainda colocou Ted como um cara estrategista, inteligente quase ao extremo, se aproveitando do fato dele ter conseguido escapar da prisão (duas vezes). Além disso, como havia sido estudante de Direito, Bundy também se propôs a ser o seu próprio advogado. Mas, para esta jornalista que vos fala, o discurso do juiz que bateu a sentença de Bundy, chama ainda mais atenção. Deixo com vocês a seguinte frase utilizada: “É uma tragédia para este tribunal ver o total desperdício de humanidade que presenciamos aqui. Você é um rapaz brilhante! Teria sido um bom advogado. Adoraria tê-lo advogando aqui. mas você seguiu um caminho diferente amigo.”

MASSACRE DE COLUMBINE

Em 20 de abril de 1999, os adolescentes Eric Harris e Dylan Klebold invadiram o colégio Columbine, localizado no Colorado, EUA, usando armas de fogo e bombas caseiras, mataram 13 pessoas e deixaram diversas feridas, cometendo suicídio em seguida.

Este caso foi utilizado pela mídia de diversas maneiras, rendendo livros e inspirando produções cinematográficas. Deixo dois exemplos aqui: em 2011, a série American Horror Story (AHS) se apropriou dos assassinatos e criou o personagem Tate Langdon. Assim como na vida real, o protagonista de AHS entrou em sua escola promovendo uma chacina. Contudo, a série mostra Langdon como um jovem angelical, corrompido por um mundo cruel, influenciado por demônios de uma casa mal assombrada, tudo para justificar os assassinatos. O romance construído é tão bom, que por vezes o telespectador se esquece dos crimes cometidos pelo adolescente e passa a acolhê-lo.

Outro exemplo de romantização de Columbine, foi na indústria musical. Na canção Pumped Up Kicks da banda Foster The People, o grupo faz alusão ao caso do colégio: “Todas as crianças com seus tênis modernos / É melhor correrem, correrem mais rápido que a minha bala”. Porém, a música foi muito bem recebida pela crítica e recebeu até uma indicação ao Grammy Award de Melhor Performance Pop em Grupo e esteve entre o top 5 da Billboard Hot 100.

Depois a faixa chegou a ser banida de alguns locais devido ao seu conteúdo. Para Mark Foster, que compôs a letra de “Pumped Up Kicks”, a ideia era conscientizar sobre a existência de transtornos mentais na adolescência e alertar sobre a maneira como acontecimentos do tipo estavam sendo vistos.

JEFFREY DAHMER

Jeffrey Dahmer, o “Canibal de Milwaukee”, Estados Unidos, assassinou, estuprou, esquartejou e comeu 17 rapazes, em suma maioria negros e latinos, entre 1978 até 1991.

Dahmer, assim como Ted Bundy, foi apontado como um jovem bonito, o que também teria colaborado para que conseguisse atrair um grande número de garotos até o seu apartamento. Os requintes de crueldade do Canibal de Milwaukee foram inimagináveis. Tendo inclusive conservado cabeças das vítimas. Ele as mantinha no congelador por um período, usando-a para se masturbar ou “praticar seu beijo na boca”. Depois, fervia a cabeça em água e “descolava” a pele do cadáver, mantendo o crânio exposto sobre sua mesa de cabeceira, ou outros móveis.

Novamente a indústria musical se apropriou do caso. Em 2013, Katy Perry, ao lado de Juicy J, lançou Dark Horse, música de sucesso estrondoso. Na parte de Juicy, o rapper faz cita Dharmer e os hábitos canibais do serial killer: "Ela é uma fera/ Eu a chamo de Carma/Ela devora o seu coração/Como Jeffrey Dahmer/Tenha cuidado”. A arte possui sua liberdade de criação e expressão, porém, não deixa de ser uma citação a um caso brutal. 

ED GEIN

O serial killer de La Crosse, nos Estados Unidos, transformou parte de corpos em itens de decoração como máscaras feitas de pele humana, cabeças decapitadas e tigelas e assentos de cadeira feitos, também, de pele. Esses itens foram roubados de covas do cemitério da cidade. Ele foi condenado pelo assassinato de duas pessoas e suspeito pelo desaparecimento de cinco. Sua primeira vítima foi em 1954.

Ed Gein deu asas a muitas produções, o caso inspirou obras extremamente famosas como Psicose, O Massacre da serra Elétrica e O Silêncio dos Inocentes. Destaco aqui o universo de Psicose, que contou com livro e filme homônimos e também com a série Bates Motel. Norman Bates faz uma clara referência à Gein, tendo o personagem características e modus operandi parecido com o assassino da vida real. Através da taxidermia (antigo processo de encher de palha animal morto a fim de conservar-lhe as características), Norman fez de sua mãe morta, uma companhia.

Gein foi ainda mais bárbaro com o cadáver de sua primeira vítima. Retirou a pele do corpo para depois vesti-la. Decepou a genitália e a pintou de prata, deixando-a exposta em uma caixa de sapatos. Separou alguns ossos e utilizou-os para a confecção de móveis para a sua casa. Também separou algumas partes do corpo para fritá-las. Mary Hogan, a vítima, era muito parecida com a mãe de Ed.

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