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Família de mulher presa por injúria racial contra taxista diz que ela tem problemas psíquicos

A família pede compaixão pela doença da acusada e se desculpa com o motorista

09/12/2019 - 00:00:00.

A família de mulher de 36 anos que foi detida por ataque racista a taxista em Belo Horizonte na semana passada pediu desculpas à vítima e afirmou que a acusada sofre há anos de problemas psíquicos. Carta escrita pelos familiares da acusada foi enviada por meio do advogado de defesa dela à imprensa. No sábado, a Justiça concedeu liberdade provisória à mulher mediante ao pagamento de fiança de R$ 10 mil. 

Ela foi presa em flagrante após se confessar racista e cometer injúria racial contra o motorista, de 51 anos, ao afirmar que “não andava com negros”. A acusada foi autuada em flagrante pela Polícia Civil e responderá judicialmente por injúria racial, desacato, desobediência e resistência. 

No documento enviado à imprensa, a família afirma que a mulher teve os transtornos psíquicos atestados há anos por profissionais de saúde. “Sabemos que alegar doença mental no nosso país é algo que foi banalizado. Não é esse o caso”, diz trecho da carta, que ainda revela que ela tentou suicídio por diversas vezes e que já agrediu de forma física e moral muitas pessoas, inclusive, da sua própria família. Ela já teria sido internada e recebido eletroconvulsoterapia. "Nas últimas semanas, tentávamos uma vaga em um hospital psiquiátrico, mas, infelizmente, não conseguimos. Essa também é outra realidade inaceitável", disse a carta. 

A família disse que a doença altera o comportamento e "produz uma neurose e mania de perseguição, além de causar um comportamento agressivo e imprevisível". Por fim, a carta, assinada pelos irmãos da acusada, pede desculpas pelo ocorrido e pede compaixão da sociedade. "Pedimos sinceras desculpas àqueles que sofrem preconceito diariamente em nosso país. Podem ter certeza, doeu em todos nós. Racismo é um a realidade brutal e inaceitável." 

Divulgação Redes Sociais

Leia a nota na íntegra: 

"Precisamos falar sobre isso. 

Sentimos muito pelo que aconteceu com o Sr. Luís Carlos Alves Fernandes e com todos os envolvidos. Pedimos sinceras desculpas àqueles que sofrem preconceito diariamente em nosso país. Podem ter certeza, doeu em todos nós. Racismo é um a realidade brutal e inaceitável. 

Mas quero informar algo que ainda não foi publicado. A Natália é uma pessoa com transtornos psíquicos. Atestada há anos por profissionais da saúde. Sabemos que alegar doença mental no nosso país é algo que foi banalizado. Não é esse o caso. 

Nossa irmã já tentou suicídio por diversas vezes, já agrediu de forma física e moral muitas pessoas, inclusive sua própria família que é quem a protege e a ama (independentemente da cor, orientação sexual, crença etc). Já foi internada, já recebeu eletroconvulsoterapia. 

Nas últimas semanas, tentávamos uma vaga em um hospital psiquiátrico, mas infelizmente, não conseguimos. Essa também é outra realidade inaceitável. Para quem não conhece a doença, ela altera o comportamento e produz uma neurose e mania de perseguição, além de causar um comportamento agressivo e imprevisível. 

Só quem tem alguém próximo com essa doença pode entender a dor que passamos há anos e estamos passando agora. Pedimos compaixão. 

Precisamos falar sobre racismo. Também precisamos falar sobre transtornos psíquicos que atingem de forma universal milhões de pessoas. 

Assinam esta nota os irmãos da Natália."

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