INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Uso excessivo de IA pode reduzir atividade cerebral, aponta estudo

Pesquisa do MIT indica queda de 47% no engajamento neural durante tarefas feitas com auxílio da inteligência artificial

Publicado em 23/07/2026 às 09:48
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A Inteligência Artificial tem se tornado uma aliada no dia a dia, ajudando em tarefas como escrever textos, organizar informações, resumir documentos e agilizar trabalhos. No entanto, um estudo do MIT Media Lab, nos Estados Unidos, aponta que o uso excessivo da tecnologia pode reduzir a atividade cerebral durante algumas atividades.

A pesquisa analisou como o cérebro reage durante tarefas realizadas com auxílio de ferramentas como o ChatGPT. Os participantes foram divididos em três grupos: um realizou atividades sem ajuda tecnológica, outro utilizou mecanismos de busca e o terceiro recorreu à inteligência artificial.

O grupo que utilizou IA apresentou o menor nível de atividade cerebral, com uma redução de aproximadamente 47% no engajamento neural durante a execução das tarefas.

Segundo o neurologista e professor da Afya Educação Médica de Belo Horizonte, Philipe Marques da Cunha, o resultado está relacionado ao fenômeno chamado descarga cognitiva.

“Isso acontece quando o cérebro transfere parte do esforço mental para uma ferramenta externa, como já fazemos ao utilizar uma calculadora ou um GPS. É um mecanismo adaptativo e diferente do que ocorre em doenças neurológicas”, explica.

De acordo com o especialista, a inteligência artificial não significa que o cérebro deixa de funcionar, mas pode alterar a forma como o esforço mental é distribuído.

Risco aparece quando IA substitui o raciocínio

O principal alerta dos pesquisadores é quando a tecnologia deixa de ser uma ferramenta de apoio e passa a substituir etapas importantes do pensamento.

Segundo Cunha, aceitar respostas prontas sem questionamento pode reduzir o estímulo de funções ligadas aos lobos frontais, responsáveis por habilidades como planejamento, tomada de decisão, pensamento crítico e memória de trabalho.

“Quando a IA substitui essas etapas, o cérebro é menos exigido nessas redes, reduzindo o engajamento ativo no raciocínio”, afirma.

Apesar da preocupação, ainda não há evidências de que o uso de inteligência artificial provoque perda permanente da capacidade cognitiva. O impacto depende principalmente da forma como a ferramenta é utilizada.

IA também aumenta produtividade

O estudo também apontou benefícios da tecnologia. Os participantes que utilizaram inteligência artificial conseguiram concluir as tarefas cerca de 60% mais rápido do que aqueles que não tiveram auxílio da ferramenta.

Para especialistas, o ideal é utilizar a IA como uma ferramenta complementar, mantendo o envolvimento humano na análise, interpretação e tomada de decisões.

Entre as recomendações estão questionar as respostas geradas, comparar informações com outras fontes e reservar momentos para resolver problemas sem o auxílio da tecnologia.

Segundo o neurologista, quando usada de forma ativa e crítica, a inteligência artificial pode ajudar a estimular o aprendizado e melhorar a produtividade, sem substituir o funcionamento do cérebro.

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