TARIFAÇO DO TRUMP

Tarifaço dos EUA não deve afetar usinas do Triângulo, diz Siamig

Mário Campos afirma que efeito da sobretaxa sobre açúcar e etanol é “praticamente nulo” em Minas e descarta risco imediato de demissões no setor

Joanna Prata
Publicado em 23/07/2026 às 14:44
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(Foto/Divulgação)

O tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros da cana-de-açúcar não deve provocar impactos relevantes para as usinas do Triângulo Mineiro e de Uberaba. A avaliação é do presidente da Siamig Bioenergia (Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais), Mário Campos, em entrevista à Rádio JM. Segundo ele, apesar de o açúcar e o etanol terem sido incluídos na lista de produtos taxados pelo governo Donald Trump, o fluxo comercial entre Minas Gerais e o mercado norte-americano é muito pequeno. 

A tarifa adicional de 25% entrou em vigor nesta semana e atinge produtos como açúcar de cana e etanol. Havia expectativa de que a medida pudesse afetar um dos principais polos sucroenergéticos do país, mas a Siamig afirma que as exportações mineiras para os Estados Unidos são residuais. 

“O efeito da taxação hoje, pensando no fluxo comercial do Brasil para os Estados Unidos, é muito pequeno sobre o setor no Brasil e menor ainda em Minas. Em Minas praticamente não tem nenhum efeito”, afirma Mário Campos. 

O dirigente explica que o mercado norte-americano já é fortemente protegido por cotas e tarifas elevadas. O Brasil só consegue exportar açúcar para os EUA dentro de uma cota de cerca de 150 mil toneladas, operada principalmente por usinas do Nordeste. Além disso, o açúcar orgânico produzido por quatro usinas brasileiras é o segmento mais afetado pela nova tarifa. 

Segundo Campos, a principal preocupação do setor não está relacionada ao tarifaço, mas ao excesso de oferta de etanol no mercado interno. 

“Hoje nós temos excedentes de produção aqui no Brasil. Não à toa, o preço do etanol nos postos está muito baixo. Estamos aguardando com muita ansiedade que essa demanda possa crescer o mais rápido possível”, diz. 

O presidente da Siamig também descarta, neste momento, risco de fechamento de usinas ou demissões em massa na região. “A grande preocupação seria a derrocada de empresas, desemprego e demissões. Nesse aspecto, o setor hoje está protegido. Com relação aos americanos e à taxação, o efeito sobre Minas Gerais é nulo”, afirma. 

Enquanto isso, o setor aposta na abertura de novos mercados internacionais para o etanol, especialmente na navegação marítima. Campos cita o primeiro abastecimento de um navio com etanol no Porto de Santos, realizado recentemente pela Copersucar, como um sinal do potencial de expansão do combustível brasileiro. 

“Eu acredito muito no mercado de navegação. Já temos navios no mundo que podem ser abastecidos com etanol, e o potencial futuro desse mercado é de 50 bilhões de litros, mais do que o Brasil produz hoje”, afirma. 

A avaliação da Siamig ocorre em um momento de expectativa positiva para a safra 2026/2027 em Minas Gerais. O estado deve colher cerca de 83,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, alta de 11,6% em relação ao ciclo anterior, após a recuperação da produtividade agrícola e uma leve expansão da área plantada.

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