ECONOMIA

Mercado eleva projeção de inflação pela 15ª semana seguida e prevê Selic a 14%

Boletim Focus, do Banco Central, aponta IPCA acima do teto da meta em 2026 e juros elevados por mais tempo diante de pressões internas e externas

Publicado em 22/06/2026 às 17:58
Compartilhar

A previsão do mercado financeiro para a inflação deste ano voltou a subir e ultrapassou o teto da meta do Banco Central (BC). De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do país medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passou de 5,3% para 5,33%.

É a 15ª semana seguida de alta na projeção. O ciclo começou após os conflitos no Oriente Médio, decorrentes de ataques em 28 de fevereiro. No boletim de 16 de março, a expectativa saltou de 3,91% para 4,1% e, desde então, vem subindo de forma sucessiva, superando o teto da meta do BC, de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Além das incertezas externas, a alta dos alimentos no Brasil também contribui para o pessimismo do mercado em relação ao IPCA. A expectativa para a taxa básica de juros (Selic) no fim do ano foi elevada em 0,25 ponto percentual pela segunda semana consecutiva, chegando a 14%. O ajuste ocorre depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter reduzido a taxa para 14,25% na última quarta-feira (17) e mantido a indefinição sobre os próximos passos.

O boletim, publicado semanalmente pelo BC, reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para Edgar Araujo, CEO da Azumi Investimentos, o Focus indica que o mercado ainda trabalha com uma economia de difícil desinflação, Selic elevada e crescimento limitado. “Juros altos por mais tempo reorganizam a economia porque aumentam a exigência sobre governança, liquidez, controle de risco e previsibilidade. O crédito caro já é conhecido, mas seu impacto real aparece nas margens das empresas, na capacidade de preservar caixa, manter investimentos e sustentar operações em um ciclo mais restritivo”, afirma.

Segundo ele, em um cenário de inflação resistente, o crescimento “fica mais técnico” e tende a favorecer quem organiza melhor suas operações financeiras. Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Novos Negócios da Pilar Capital, avalia que o país não está necessariamente entrando em estagnação, mas em um ambiente em que o custo do capital deve permanecer mais alto. “As margens ficam pressionadas pelo aumento das despesas financeiras, os investimentos são adiados e as empresas mais endividadas enfrentam maior dificuldade para crescer”, diz.

Na avaliação de Gustavo Assis, CEO da Asset, os números do Focus não apontam para um ciclo permanente de baixo crescimento, mas indicam que a economia precisará conviver por mais tempo com condições financeiras mais restritivas. “Enquanto as expectativas inflacionárias permanecerem elevadas, o espaço para uma redução mais rápida dos juros continua limitado”, observa.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o mercado passou a considerar a possibilidade de uma taxa de juros estruturalmente mais alta, resultado de expectativas inflacionárias persistentemente desancoradas e de um prêmio de risco que segue pressionando a curva longa.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por