Dois bebês morreram vítimas do Ebola no leste da República Democrática do Congo, em meio ao avanço de um surto que preocupa autoridades de saúde pela maior vulnerabilidade das crianças à doença. Os casos foram registrados na província de Ituri, onde equipes médicas intensificam o monitoramento de menores expostos ao vírus.
Uma das vítimas foi a recém-nascida Buswaza, que havia sido levada para um orfanato após a morte da mãe. Dias depois, apresentou febre e morreu. Após o caso, outros seis bebês da instituição passaram a ser acompanhados por suspeita de infecção. Cinco deles tiveram resultado negativo para Ebola e receberam alta, enquanto uma segunda bebê, apelidada de "Cherie", também morreu após confirmação da doença.
Segundo profissionais de saúde, crianças pequenas podem apresentar risco elevado de complicações graves devido à imaturidade do sistema imunológico, além de fatores como desnutrição e dificuldades de acesso aos serviços médicos. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que menores representam cerca de 17% dos casos confirmados neste surto.
O Ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, saliva, vômito e fezes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também aponta que o vírus pode ser transmitido da mãe para o bebê durante a gestação, no parto ou por meio do leite materno.
O atual surto já infectou quase 600 pessoas na República Democrática do Congo e provocou ao menos 115 mortes, segundo dados divulgados por autoridades de saúde. Especialistas alertam que o cenário humanitário da região, marcado por conflitos armados e altos índices de desnutrição infantil, pode agravar os impactos da doença entre as crianças.
Equipes médicas seguem realizando o acompanhamento diário das crianças e funcionários do orfanato onde os casos foram identificados. As investigações continuam para conter a disseminação do vírus e identificar novos possíveis infectados.