Premiação internacional coloca profissionais de São Paulo e do Rio de Janeiro no ranking global e reforça a força da pizza feita no país
A Itália já foi o único destino quando o assunto era pizza de excelência, mas esse posto vem sendo dividido. Na edição de 2026 do The Best Pizza Awards, uma das principais premiações internacionais do segmento, cinco pizzaiolos que atuam no Brasil figuram entre os 100 mais influentes do planeta.
O anúncio da quarta edição do prêmio aconteceu em 24 de junho, em Milão, na Itália. Ligada ao The Best Chef Awards, a premiação reúne mais de 500 jurados de 60 países, que avaliam pontos como técnica de fermentação, qualidade dos ingredientes, constância no forneamento, atendimento no salão e impacto cultural das pizzarias.
A data marca o Dia da Pizza, celebrado em 10 de julho, e o resultado ajuda a mostrar que o país deixou de ser apenas um grande consumidor para se firmar também como produtor de pizzas de alto nível.
Entre os brasileiros, o melhor colocado foi o italiano radicado no país Dani Branca, da Soffio Pizzeria, em São Paulo, na 42ª posição. Na sequência aparecem Fellipe Zanuto, da A Pizza da Mooca (51º); Matheus Ramos, da QT Pizza Bar (55º); Pedro Siqueira, do Sìsì, no Rio de Janeiro (78º); e André Guidon, da Leggera (83º).
Para Dani Branca, a lista comprova o amadurecimento da gastronomia nacional. "Vejo isso como uma valorização da pizza brasileira e de todos os profissionais que trabalham diariamente para elevar o nível da nossa gastronomia", afirma.
Segundo o chef, o país conseguiu encontrar um estilo próprio ao equilibrar herança e criatividade. "O Brasil conseguiu criar uma identidade própria sem deixar de respeitar a tradição italiana. Hoje temos excelentes ingredientes, profissionais altamente qualificados, acesso à informação e muita criatividade", explica.
A valorização da profissão também mudou nos últimos anos. Fellipe Zanuto conta que, ao abrir a A Pizza da Mooca, em 2011, o cenário era outro. "Ser pizzaiolo não tinha reconhecimento; era apenas uma profissão. Hoje, o pizzaiolo já tem status de chef, de artesão, de especialista", diz.
Ele relaciona o avanço ao interesse crescente do público e à modernização do mercado. "A quantidade de pessoas interessadas por pizza, somada ao acesso a bons equipamentos e ingredientes, ajudou a transformar esse cenário", afirma.
Matheus Ramos, da QT Pizza Bar, aponta que a evolução também veio da técnica dentro das cozinhas. "Antes éramos criativos, mas não dávamos tanta atenção à massa e aos ingredientes, então acabávamos fazendo algumas 'bobagens'. Hoje pensamos muito mais em técnica e evoluímos bastante", diz.
Já Pedro Siqueira, do Sìsì, destaca o papel da hospitalidade brasileira na projeção internacional. "Conseguir representar o Brasil e ver cada vez mais brasileiros nessa lista é muito importante", ressalta.
O chef carioca cita ainda a mistura de produtos importados com itens nacionais. "Usamos muitos ingredientes importados, principalmente os de base, como molho e farinha, mas damos um toque brasileiro com queijos e outros produtos que fazem parte da nossa identidade", conta.
Entre os cinco brasileiros do ranking, apenas André Guidon, da Leggera, não foi entrevistado, já que preferiu não falar com a reportagem.
Natural de Salerno, na Itália, Dani Branca construiu a carreira no Brasil sem abandonar as raízes napolitanas. Duas vezes eleito o melhor pizzaiolo da América Latina no Pizza DOC, ele comanda a Soffio Pizzeria, em São Paulo, que atualmente funciona como embaixada oficial da Accademia Pizza DOC na capital paulista.
O trabalho do chef aposta na fermentação longa, em ingredientes selecionados e na fidelidade aos princípios da pizza napolitana contemporânea. Entre suas preferências, ele elege a margherita como a pizza indispensável.