Siamig alerta que produtores já reduzem adubação, tratos culturais e investimentos diante da pressão dos custos
Enquanto Minas Gerais projeta uma recuperação da produção de cana-de-açúcar na safra 2026/2027, o setor sucroenergético acende um alerta para o aumento dos custos de produção e a dependência brasileira de fertilizantes importados. A preocupação é compartilhada pelo presidente da Siamig Bioenergia, Mário Campos, que vê riscos para a produtividade dos próximos anos.
A estimativa divulgada durante a Abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol em abril é que Minas Gerais deve colher 83,3 milhões de toneladas de cana na safra 2026/2027, crescimento de 11,6% sobre o ciclo anterior. A melhora ocorre após uma temporada marcada por estiagem prolongada, chuvas irregulares e queda de produtividade, especialmente no Triângulo Mineiro, principal polo canavieiro do estado.
Apesar da recuperação, Campos afirma que a conta do produtor continua apertada. “Observamos um aumento absurdo do custo de produção, muito em função da dependência externa que o Brasil vive por parte de fertilizantes e insumos agrícolas. Do outro lado, vimos uma depressão dos preços dos produtos agrícolas. A cana-de-açúcar não é diferente”, afirma.
Segundo o dirigente, a combinação de custos elevados e preços mais baixos já está provocando pedidos de renegociação de dívidas e pressão por juros menores no crédito rural. “A condição do produtor rural hoje é muito difícil. Os custos subiram de forma muito forte e a receita caiu bastante. Essa conta não está fechando”, diz.
O presidente da Siamig afirma que o efeito mais preocupante é o que começa a aparecer dentro das propriedades. “Já observamos muita gente reduzindo a adubação, reduzindo os tratos culturais e cortando investimentos na lavoura. Infelizmente, isso vai ter efeito futuro, podendo impactar a produção e a produtividade dos próximos anos”, alerta.
O setor sucroenergético do Triângulo Mineiro depende fortemente de fertilizantes importados e de outros insumos agrícolas, o que aumenta a vulnerabilidade diante das oscilações do mercado internacional e de crises geopolíticas. A guerra no Oriente Médio e as tensões em países fornecedores de fertilizantes têm mantido os custos em patamares elevados.
Campos afirma que o setor tenta ganhar eficiência, mas reconhece que há pouco espaço para compensar sozinho o aumento dos custos. “É algo em que temos pouco poder de manobra. Tentamos nos reinventar de todas as formas, mas é uma realidade da qual não conseguimos fugir”, afirma.
Mesmo com a previsão de melhora da safra atual, a preocupação é que a redução dos investimentos agrícolas comprometa a recuperação no médio prazo. O Triângulo Mineiro concentra algumas das maiores usinas do país e tem papel estratégico na produção de açúcar, etanol e bioenergia em Minas Gerais.