Com esta decisão, agentes de futebol da ABAF querem incluir empresários no sistema de fair play financeiro da CBF. (Foto ABAF)
A decisão do Flamengo de renegociar e adiar o pagamento de comissões a empresários motivou uma nova manifestação da Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf). A entidade encaminhou um ofício ao presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), Caio Resende, pedindo que os agentes passem a integrar o Sistema de Sustentabilidade Financeira, o fair play criado pela CBF neste ano.
No documento, a Abaf cita o caso do Flamengo como exemplo. Segundo a associação, a situação ganha ainda mais relevância porque o clube é reconhecido por sua boa condição financeira. A carta foi assinada pelo presidente da entidade, Jorge Moraes.
O pedido da Abaf não é novo. Os empresários já defendem que possam fazer parte do grupo de credores autorizados a comunicar inadimplências diretamente à Anresf. Com a alegada reorganização financeira do Flamengo, a entidade decidiu reforçar a solicitação.
Atualmente, quando um clube deixa de pagar uma comissão, o empresário pode recorrer à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF ou à Justiça Comum. Caso o pedido da Abaf seja aceito, os agentes também poderão acionar a Anresf, o que poderá resultar em punições esportivas para clubes inadimplentes.
Nos últimos dias, o departamento de negociação e contratos do Flamengo enviou e-mails a empresários informando a necessidade de renegociar e reprogramar pagamentos de comissões previstos até o fim de 2026.
Em outra mensagem, o clube informou que os pagamentos pendentes deste ano serão adiados para 2027. O novo cronograma, porém, não foi informado.
Procurado, o Flamengo manteve o posicionamento apresentado pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, em entrevista ao canal "Vene Casagrande", no YouTube.
Segundo o dirigente, algumas condições acertadas em contratos anteriores não são consideradas adequadas pela atual gestão. Por isso, o clube busca renegociar esses compromissos.
Bap também afirmou que o Flamengo mantém credibilidade no mercado por cumprir seus pagamentos e declarou que empresários insatisfeitos têm liberdade para negociar com outros clubes.
Esta não é a primeira vez que o Flamengo adia o pagamento de comissões. No início do ano passado, a diretoria adotou medida semelhante para reforçar o fluxo de caixa no começo da gestão de Bap.
Agora, a nova reorganização financeira acontece em um momento em que o clube adota cautela no mercado de transferências. A diretoria já informou publicamente que o alto investimento na contratação de Lucas Paquetá faz com que os próximos movimentos na janela sejam conduzidos com maior cuidado financeiro.
A Abaf informou que vem solicitando sua inclusão no fair play financeiro desde o início de julho. Em uma das cartas enviadas à Anresf, a entidade destacou que o Flamengo comunicou de forma unilateral a reprogramação das comissões previstas em contrato.
Para a associação, se um clube apontado como um dos mais sólidos financeiramente do país precisa reorganizar esses pagamentos, o risco para equipes em situação econômica mais delicada pode ser ainda maior.