Todos os anos-novos são saudados com champanhe, cerveja, uísque, enfim, mais bebida do que se precisa para beber, cair e não levantar. Além disso, pernis, perus, arrozes, churrascos, carnes assadas, enfim, muito mais comida do que o que se consegue comer. E tome mais peso. Na balança e na consciência.
Mas para quê? Para que no fim do ano a gente não veja a hora dele acabar para fazer tudo de novo com o que está chegando, sem se dar conta de que é um ano a mais que tivemos e um a menos que teremos.
E esta é a dinâmica da vida.
Mas será que todos os anos, tão bem recebidos no nascimento, têm que terminar assim, precitos? Nenhum deles terá deixado saudades?
Pois bem. Rememoremos.
Creio que temos uma injusta interpretação com os finais de ano. Digo isso porque tenho saudades de muitos deles que se foram. Igualmente comemorados os seus finais, eles se revelariam mais tarde os anos melhores das nossas vidas.
, creio que os nossos dezembros devam ser mais reflexivos quanto ao que de bom aconteceu nas nossas vidas nos meses anteriores. Tenham sido lá como foram, chegamos, enfim, a dezembro e comemoramos a chegada do novo janeiro. Isso por si só já é muito se considerarmos que tantos não chegaram até aqui.
Talvez tenhamos tido perdas importantes, talvez as tenhamos neste próximo período. O fato é que elas acontecem em todos os anos, grandes ou pequenas. Mas anime-se. Tivemos outro tanto de bons acontecimentos que se repetirão de agora em diante.
O melhor dessa sequência infinita é que a gente pode aproveitá-la bem para crescer como seres humanos a ponto de mudar um pouco esse circuito imerecido de condenação do pobre ano velho. Bom lembrar que não há situação tão ruim que não possa piorar e, da mesma forma, todo cenário, por positivo que seja, pode ainda se superar e melhorar. E nós temos muito a ver com isso ou aquilo. Muito disso ou daquilo depende de nós.
Olhos e ouvidos vivos, atentos para o que se passa a nossa volta. Para que os nossos votos de bom ano-novo tenham alguma chance de se fazerem realidade, temos de estar atentos a outros votos. As urnas eleitorais guardarão dentro de si muito do que teremos de opinião dos nossos anos velhos. Eis aí um bom começo para mudarmos a opinião de que, graças a Deus, este ano acabou.
Restará inaugurada a era do “feliz ano novo; obrigado, ano velho”.