REGINALDO LEITE

# 6 – GP de Monaco - Primeiro Grand Chelem de Antonelli

Reginaldo Baleia Leite
Reginaldo Leite
Publicado em 09/06/2026 às 07:33Atualizado em 09/06/2026 às 07:33
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Antonelli vence com tranquilo sem cometer erros

Mônaco é um caso à parte no calendário da Fórmula 1. Detestado por alguns e admirado por outros, o Principado raramente entrega grandes corridas. Desta vez não foi muito diferente. O que salvou a etapa foi um Safety Car seguido de bandeira vermelha na volta 60, já na reta final da prova. Pouco depois, um novo incidente, desta vez envolvendo Leclerc no mesmo ponto onde Stroll havia batido anteriormente.

A prova ficou interrompida por cerca de trinta minutos. Como quase sempre acontece em Mônaco, o pole position venceu a corrida. E foi exatamente isso que ocorreu com Kimi Antonelli. O jovem italiano conquistou seu primeiro Grand Chelem na Fórmula 1, feito que consiste em largar na pole, liderar todas as voltas, marcar a melhor volta da corrida e vencer a prova.

A classificação de sábado, tradicionalmente mais emocionante que a corrida de domingo, voltou a ser o grande destaque do fim de semana. A Ferrari era apontada por muitos como favorita antes da etapa, mas não conseguiu transformar essa expectativa em realidade, para a tristeza de sua enorme torcida espalhada pelo mundo.

Na primeira fase da classificação, parecia que a Ferrari brigaria pela pole. Leclerc foi o mais rápido, seguido por Verstappen e Antonelli. No Q3, porém, vimos Max registrar uma excelente volta e dar a impressão de que conquistaria a posição de honra. Entretanto, Antonelli respondeu com uma volta espetacular em 1min12s053, superando o 1min12s094 do holandês. Na segunda fila ficaram os carros vermelhos de Hamilton e Leclerc. Hadjar e Russell completaram os seis primeiros.

Na corrida, Antonelli largou bem e manteve a liderança. Verstappen, de quem se esperava um duelo direto com o italiano na primeira curva, sofreu uma falha mecânica logo na largada. Hamilton herdou a segunda posição, seguido por Leclerc, Hadjar, Russell e os demais. A única mudança relevante foi Norris, que perdeu a oitava colocação para Gasly.

Antonelli venceu sem ser ameaçado em nenhum momento e alcançou sua quinta vitória consecutiva na categoria, uma marca impressionante. Vale lembrar que sua primeira vitória ocorreu apenas na segunda etapa do ano, na China. Desde então, ele simplesmente não parou mais de vencer. E entra para história da categoria com um feito raro e que dificilmente será batido.

Gabriel Bortoleto foi obrigado a largar dos boxes após uma pane em seu carro durante a volta de formação para o grid. Sua posição original seria a 16ª colocação. O brasileiro já havia raspado o guard-rail no Q1, danificando a suspensão dianteira. Largar do fundo do grid em Mônaco costuma ser uma sentença péssima. Ainda assim, Gabriel fez uma corrida consistente e terminou em 11º, logo à frente do punido Russell. 

A situação de Russell merece atenção. O inglês foi punido duas vezes pelos comissários, uma penalidade de cinco segundos e um drive-through. Além de ser prejudicado por um erro operacional da própria equipe durante o cumprimento da primeira punição. Se no Canadá o problema foi técnico, em Mônaco foi humano. A diferença para Antonelli já chegou a 68 pontos, e Russell ainda perdeu a vice-liderança do campeonato para Hamilton, que agora soma 90 pontos.

Festival de punições

Se Antonelli bateu recordes na pista, os comissários fizeram o mesmo fora dela. O número de punições aplicadas em Mônaco foi um dos maiores dos últimos anos. Aparentemente, a direção de prova passou a calcular a punição no perímetro de box com base no tempo gasto para percorrer a distância e não na velocidade como em outras pistas.

Além de Russell, também foram punidos Hamilton, Piastri, Colapinto e Gasly. O francês recebeu duas punições de cinco segundos e acabou despencando do terceiro para o sétimo lugar após a bandeirada. A Alpine chegou a solicitar uma revisão das decisões, mas, como quase sempre acontece, nada mudou. Para a FIA, tudo foi conduzido corretamente.

 Hadjar herdou o terceiro lugar e conquistou seu primeiro pódio pela Red Bull. O feito é relevante: ele se tornou o primeiro companheiro de Verstappen, desde Sergio Pérez, a subir ao pódio pela equipe. Sua corrida foi extremamente difícil Hadjar completou várias voltas com o carro danificado e ainda precisou suportar forte pressão de Russell durante boa parte da prova.

Outro destaque foi Arvid Lindblad. O jovem largou apenas em 15º e terminou em sexto. É verdade que os abandonos de Verstappen e Leclerc, além da enxurrada de punições, ajudaram bastante. Ainda assim, sua recuperação foi excelente. Albon terminou em oitavo, Ocon em nono e, para surpresa de muitos, Alonso levou a Aston Martin ao décimo lugar, marcando o primeiro ponto da equipe na temporada de 2026.

       

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