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Enoturismo no Brasil: 3 destinos além da Serra Gaúcha

O Sul do país não é a única região para se aventurar por vinícolas no Brasil. A experiência pode ser vivida até em território mineiro

Gisele Barcelos
Gisele Barcelos
Publicado em 06/06/2022 às 10:20Atualizado em 18/12/2022 às 20:11
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Junho é sempre lembrado como o período das tradicionais festas juninas, mas essa não é a única data comemorada no mês. O primeiro domingo foi escolhido para celebrar o Dia Nacional do Vinho e a gente não poderia deixar o momento passar em branco. Por isso, a coluna de hoje será dedicada a apresentar três destinos nacionais diferentes para mergulhar numa autêntica experiência de enoturismo.

O enoturismo é uma atividade turística que tem como objetivo a apreciação do sabor e aroma de vinhos, além do aprofundamento nas tradições e cultura dos lugares que os produzem. A principal característica é o envolvimento dos viajantes em todos os detalhes da produção dessa bebida secular e maravilhosa que é o vinho.

É um tipo de viagem gastronômica, onde os turistas podem participar de degustações de rótulos, fazer tours guiados pelas vinícolas e vinhedos, visitar museus e muito mais.

Apesar da Serra Gaúcha ser a região mais famosa pelo enoturismo, a lista de opções não se resume ao Sul do país. É possível apreciar até diferentes sabores Brasil afora. Confira três destinos nacionais inusitados que fazem parte da rota do vinho brasileiro e precisam entrar no itinerário dos amantes da bebida.

Sul de Minas Gerais

Tradicionalmente conhecida pela produção de café, a região Sul de Minas Gerais vem ganhando destaque nos últimos anos por sua viticultura, com rótulos premiados internacionalmente. A colheita das uvas é realizada no inverno mineiro, garantindo frutas de qualidade, com mais aroma e concentração de cor. Por isso, se for visitá-las e quiser ver a plantação colorida e carregada de frutas, busque ir entre os meses de junho e agosto.

As produtoras mais reconhecidas da bebida estão espalhadas em diferentes cidades. Uma boa solução é combinar o roteiro, aproveitando o trajeto para visitar mais de uma vinícula.

Uma das opções na região é premiada Maria Maria, aos pés da Serra de Boa Esperança. A fazenda que abriga a plantação de uvas pertence a uma família de cafeicultores, que decidiu investir no ramo dos vinhos em 2006. As videiras foram plantadas em uma região que antes era dedicada exclusivamente a produção de café

A história da vinícola começou de maneira inusitada, quando o então proprietário das terras, Eduardo Junqueira Nogueira Júnior, sofreu um ataque cardíaco e teve de repensar seus hábitos alimentares. Seu médico receitou que tomasse uma taça de vinho por dia. O produtor teve a ideia de fazer seu próprio vinho e o projeto deu mais que certo. O nome da casa vem da canção Maria, Maria, de Milton Nascimento. Além de conterrâneo, o músico é amigo do fazendeiro.

Para desenvolver a atividade na região, é utilizada uma técnica conhecida como dupla poda ou poda invertida. Ela faz com que a plantação dê frutos no inverno e não no verão, quando há menos chuvas. Isso garante que as uvas tenham um período de maturação mais prolongado, com sabores, cores e aromas mais intensos. É possível conhecer essas delícias durante um tour guiado pela vinícola, basta agendar com antecedência.

Lagoa Grande, Pernambuco

Quando pensamos em vinhedos, geralmente vêm à nossa cabeça temperaturas amenas e paisagens serranas, não é mesmo? Mas sabia que existem plantações de qualidade que prosperam em meio ao clima quente e seco da caatinga?

A região conhecida como Vale do São Francisco, no nordeste brasileiro, vem ganhando destaque como produtora de vinho e destino enoturístico. O seu pólo é composto por sete vinícolas localizadas entre Pernambuco e Bahia. Ao todo, são mais de 10 mil hectares de vinhedos na área.

As técnicas de irrigação associadas à proximidade com o São Francisco fizeram com que o Vale se tornasse um dos maiores produtores da bebida no país. Uma boa notícia é que não existe tempo ruim para conhecer a vinícola. A região do Vale do São Francisco é a única que produz uvas até três vezes por ano. O moderno sistema de irrigação, combinado com o clima quente e seco, permite que a colheita ocorra durante as quatro estações. Então, independentemente do período de visitação, é provável que você vá se deparar com plantas coloridas e bem carregadas.

Uma das vinícolas que fica localizada bem na beira deste grande curso fluvial é a Rio Sol, na cidade de Lagoa Grande, em Pernambuco. A empresa pertence à Global Wines, uma produtora de vinhos reconhecida internacionalmente por sua inovação, com sede na região do Dão, em Portugal.

Os turistas podem conhecer a vinícola e realizar dois tipos de passeio no local. No roteiro tradicional, é apresentado todo o processo que leva as uvas do parreiral à mesa. São realizadas com visitas guiadas ao campo, à fábrica e à adega, além de uma degustação de vinhos e espumantes. O tour deve ser agendado previamente e é realizado de segunda a sexta, com valores por volta de R$ 20.

Já a rota dos vinhos é um tour com duração de oito horas, e já inclui transfer de ida e volta da cidade de Petrolina – que fica há cerca de uma hora da vinícola. Oferece visitas guiadas a todas as áreas, com direito a prova de uvas. Além disso, a experiência conta com um passeio de Catamarã e banho no Rio São Francisco, degustação de espumantes e almoço regional com degustação de vinhos. A opção custa R$ 180, e só acontece aos sábados, sendo necessário fazer inscrição prévia.

Espírito Santo do Pinhal, São Paulo

Na fronteira entre São Paulo e Minas Gerais, a cidade serrana de Espírito Santo do Pinhal uniu as influências da colonização italiana com o clima e solo semelhantes à região europeia para prosperar no cultivo de vinhedos. Uma produtora se destaca na regiã a vinícola Guaspari.

Assim como as primeiras vinícolas do sul de Minas, a Guaspari começou sua plantação de uvas em fazendas que anteriormente se dedicavam à produção de café. As primeiras videiras foram plantadas em 2006, a partir de mudas de diversas variedades francesas. Hoje são cerca de 50 hectares de vinhedo próprio.

Para garantir a qualidade da fruta, também é realizado o processo de poda invertida, com colheita nos meses de julho e agosto, a época mais festiva para visitar o estabelecimento. A casa oferece quatro tipos de passeios, sendo que todos incluem a degustação de rótulos da casa e precisam de inscrição prévia.

O tour mais simples é a Visita Express, onde o processo produtivo é apresentado ao longo dos vinhedos, da indústria e da cave de barricas. Inclui três paradas para degustar os vinhos, e custa R$ 130 por pessoa. Já a experiência completa conta com café da manhã, tour com explicações técnicas pelas dependências e colheita simbólica, degustação de quatro rótulos harmonizados com queijos e almoço com vinhos e pratos típicos da região. Nesta opção os valores chegam a R$ 780 por pessoa.

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