AGRO & TALS

O que a chegada do frio em Uberaba pode causar no rebanho e nas hortaliças?

Raiane Duarte
Publicado em 15/06/2026 às 09:17
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Chove, chuva!

A chuva chegou em Uberaba, na madrugada da última quinta-feira (11). Por volta das 3h, a chuvinha molhou o chão com 1.8mm de precipitação. Nos dias seguintes, sexta, sábado, domingo e hoje, choveu mais de 55mm. Os dados foram gerados pela estação meteorológica móvel da Fazu, que monitora temperatura, umidade, probabilidade de chuva, além da velocidade e direção do vento. O interessante é que a estação foi desenvolvida dentro da própria faculdade, pelos alunos da Agrocomputação. O projeto é conduzido pelo professor Gill Mayeron, em parceria com a empresa VIMAC Soluções.

Frio em bovinos

Além da chuva, o frio também chegou. Hoje (15), às 6h, a temperatura chegou a 15°C. Amado por uns, detestado por outros, mas, de fato,  uma intempérie que serve de alerta para o produtor rural. A zootecnista Renata Barbieri, que é mestre em Qualidade e Produtividade Animal, explica que os bovinos, principalmente os zebuínos, como o Nelore, são muito bem adaptados ao calor, mas apresentam menor resistência ao frio intenso. “Os bovinos são animais homeotérmicos, ou seja, conseguem manter sua temperatura corporal dentro de determinados limites. Quando a temperatura cai muito, o organismo aumenta o metabolismo e utiliza suas reservas energéticas para produzir calor. Porém, em animais com baixo escore corporal, bezerros ou animais debilitados, esses mecanismos podem não ser suficientes, aumentando o risco de hipotermia, queda da imunidade e até mortalidade”.

Solução?

A tomada de decisão estratégica é fundamental neste momento. Renata pontua ainda que é importante que o produtor se antecipe aos períodos mais frios, oferecendo abrigo contra vento e chuva, garantindo boa alimentação e, quando necessário, suplementação energética. Além disso, manter o protocolo sanitário atualizado e monitorar o rebanho são medidas fundamentais para preservar a saúde e a produtividade dos animais durante o inverno.

Hortaliças

Na produção de hortaliças, as baixas temperaturas também podem ser grandes vilãs. O frio intenso e as geadas afetam o desenvolvimento, reduzindo o crescimento e favorecendo doenças fúngicas. A doutora em Ciência do Solo, Aline Rosa, explica que folhosas delicadas, como alface e rúcula, podem sofrer queimaduras e perdas causadas pela geada. Se o frio e geada tira o sono dos produtores, o impacto também é sentido no prato e no bolso do consumidor final, pois os efeitos podem reduzir a oferta de produtos e aumentar os preços no mercado. “Para minimizar prejuízos, utilizam-se cobertura do solo, estufas e manejo adequado da irrigação”.

Aline Rosa é responsável pela horta da Fazu e está atenta a todas as mudanças de tempo (Foto/Divulgação)

Aline Rosa é responsável pela horta da Fazu e está atenta a todas as mudanças de tempo (Foto/Divulgação)

 Cada qual

Por outro lado, hortaliças de clima frio, como brócolis, couve, repolho, cenoura e beterraba, geralmente se desenvolvem bem. Contudo, Aline ressalta que ainda assim temperaturas muito baixas podem atrasar a colheita. “Também é necessário monitorar doenças como míldio e podridões. Culturas sensíveis, como tomate, berinjela, pimentão e pepino, têm crescimento e maturação mais lentos. O frio também reduz a velocidade de germinação das sementes. Além disso, diminui a absorção de água e nutrientes pelas raízes”.

PNAT

O Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens da ABCZ, o PNAT, segue em pleno trabalho com a etapa de Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar. A fase de teste é realizada no Confinamento Automatizado da Fazu e, no friozinho da quinta-feira (11), o corpo técnico da ABCZ e da Fazu, junto com os alunos estagiários, realizaram a pesagem intermediária. Qual touro terá o melhor desempenho na prova? Os trabalhos continuam, mas a resposta final fica para a ExpoGenética.

Termógrafo

O PNAT é uma mina de ouro não só para o melhoramento genético, mas como para o desenvolvimento de inovação e ciência como um todo. O espaço colabora com iniciativas de iniciação científica e projetos integradores entre múltiplas áreas. No leque da Agrocomputação, uma das turmas criou um protótipo de termógrafo para bovinos. Em fase de coleta de dados, o equipamento tem como objetivo realizar a avaliação térmica de determinadas regiões do animal e está sendo testado durante as pesagens do PNAT. O projeto foi encabeçado pelo professor da Agrocomputação, Janderson Cardoso, e nos testes em animais, conta com o apoio da professora e médica-veterinária Pollyanna Mafra.

Preparo exposições

Ainda sobre bovinos, a Fazenda Escola da Fazu foi palco de um curso ministrado pela zootecnista Pércia Rocha, famosa pela especialidade em Doma, Manejo Racional e Bem-estar Animal. A profissional ministrou uma capacitação de seis dias sobre preparo de animais para exposição. Quem passava ao lado do redondel achava curioso os alunos escovando e “amansando” os bezerros. Por trás, uma preparação dividida entre teoria e prática. Os alunos reproduziram todas as etapas de preparação para uma exposição, desde o cuidado com os animais, até o posicionamento em pista e julgamento.

Cesta básica

Na última sexta-feira (12), mais uma pesquisa dos preços da cesta básica em Uberaba foi divulgada. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) referente ao mês de maio mostra que  o valor da cesta básica, composta pelos itens mais baratos encontrados, chegou a R$ 229,09. Em abril, o menor valor registrado havia sido de R$ 219,80, o que representa um aumento de 4,23%. O arroz de 5 kg, por exemplo, apresentou preço mínimo de R$ 9,90 e máximo de R$ 37,99, resultando em um valor médio de R$ 23,94. A pesquisa é um projeto extensionista da Fazu, ministrado pelo professor Guilherme Roldão. 

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