
Decisão em Goiás reforça alerta sobre apostas online, problema que já tem pacientes em tratamento na rede pública de Uberaba (Foto/Divulgação)
Uma decisão da Justiça de Goiás reforça os impactos que a compulsão por jogos de azar online pode provocar na vida familiar e financeira. Em ação de divórcio litigioso, um juiz determinou o afastamento de um homem do lar conjugal e proibiu qualquer negociação do único imóvel do casal após concluir, em análise preliminar, que havia indícios de comprometimento do patrimônio em razão do vício em apostas virtuais.
De acordo com o processo que tramita na Vara de Família e Sucessões de Jataí/GO, a esposa relatou que o marido passou a destinar recursos da família às chamadas "bets" e outros jogos online, acumulando dívidas e colocando em risco os bens do casal. Ela afirma que precisou assumir sozinha as despesas da residência e apresentou documentos que apontam empréstimos, movimentações financeiras e a venda de um veículo sem seu consentimento. Para o magistrado, os elementos apresentados justificam a adoção de medidas urgentes para preservar o patrimônio até o julgamento da ação.
Além de determinar a separação de corpos, a decisão tornou indisponível o imóvel do casal, impedindo sua venda ou utilização como garantia para quitar dívidas. O juiz também considerou que a permanência do homem na residência poderia agravar os conflitos familiares diante do cenário de endividamento e da situação narrada pela autora.
O caso chama atenção para uma realidade que também começa a ser percebida em Uberaba. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, cresce o número de pessoas identificadas com transtorno relacionado às apostas online, embora a procura por tratamento ainda seja pequena em comparação com a dimensão do problema. Os casos são acompanhados pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e encaminhados ao CAPS AD para atendimento especializado.
No último semestre, cerca de dez pacientes participaram de um grupo terapêutico voltado especificamente ao transtorno do jogo. O tratamento é gratuito, pode ser iniciado por procura espontânea e inclui acompanhamento multiprofissional e estratégias para prevenir recaídas. A Secretaria de Saúde orienta que pessoas que perderam o controle sobre as apostas ou enfrentam dificuldades financeiras e emocionais em decorrência do jogo procurem uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou diretamente o CAPS AD.
A preocupação com os efeitos das apostas também chegou ao Legislativo. Na semana passada, a Câmara Municipal de Uberaba aprovou um projeto de lei que proíbe a publicidade de casas de apostas esportivas e de bebidas alcoólicas em espaços públicos destinados ao esporte, à cultura, ao lazer, no transporte coletivo e em áreas próximas a instituições de ensino.