Prefeitura confirma que não fornece ração, medicamentos, insumos ou auxílio financeiro a voluntários independentes
Mesmo reconhecendo a importância do trabalho desenvolvido pelos protetores independentes de animais em Uberaba, a Prefeitura confirmou ao Jornal da Manhã que não possui programa permanente para fornecer ração, medicamentos, insumos ou auxílio financeiro a esses voluntários. A informação foi divulgada pela Superintendência de Bem-Estar Animal (SBEA) em meio a uma sequência de reportagens que mostram as dificuldades enfrentadas por quem atua no resgate de cães, gatos e outros animais abandonados.
Segundo a SBEA, o município mantém cadastro de 231 protetores independentes e entidades de proteção animal, utilizado para organização dos atendimentos, comunicação e participação em ações promovidas pela administração municipal.
Ainda conforme a Prefeitura, os atendimentos veterinários são realizados por meio do Centro Pet e do convênio com o Hospital Veterinário da Uniube (HVU), seguindo critérios técnicos, disponibilidade e grau de urgência dos casos.
No entanto, o próprio órgão esclarece que não existe um programa permanente de apoio material ou financeiro aos protetores. "A Prefeitura esclarece que não possui programa permanente de fornecimento de ração, medicamentos, insumos ou auxílio financeiro aos protetores independentes", informa a Superintendência.
A administração acrescenta que o apoio direto é destinado apenas às organizações da sociedade civil que mantêm abrigos conveniados. "O Município, no entanto, mantém apoio institucional às duas organizações da sociedade civil que atuam no acolhimento de animais em Uberaba – Supra e Abrigo dos Anjos –, com o fornecimento de ração para os animais sob seus cuidados”, informa em nota.
A resposta da Prefeitura contrasta com os relatos de protetores ouvidos recentemente pelo Jornal da Manhã.
Durante o mesmo período, ela denunciou ter encontrado cães abandonados no bairro Maracanã disputando restos de animais mortos para sobreviver, situação que, segundo a voluntária, aumenta o risco de doenças graves.
Já a responsável pela ONG Amor de Quatro Patas, Carmen Lucy Prata, afirmou que precisou custear com recursos próprios o tratamento de um cachorro encontrado gravemente ferido às margens da MG-427. O animal recebeu alta, mas ainda necessita de aproximadamente dois meses de tratamento, enquanto a ONG continua buscando doações para manter o atendimento aos cerca de 65 animais sob seus cuidados.
Além das dificuldades financeiras, protetores também relatam demora ou ausência de respostas em solicitações encaminhadas ao poder público para atendimento de animais feridos e denúncias de maus-tratos.
Em abril deste ano, a Câmara Municipal aprovou a criação do título "Protetor Destaque dos Animais", destinado a reconhecer pessoas e instituições que atuam na proteção animal em Uberaba.
Na justificativa da proposta, a autora destacou que muitos protetores desenvolvem esse trabalho de forma voluntária, enfrentando dificuldades financeiras e emocionais para manter resgates, tratamentos veterinários e ações de adoção responsável.
Em nota, a Superintendência de Bem-Estar Animal afirma que continua investindo em políticas públicas voltadas à causa animal. "A Prefeitura de Uberaba segue investindo em políticas públicas voltadas ao bem-estar animal, como os mutirões de castração, os atendimentos no Centro Pet e o convênio com o Hospital Veterinário da Uniube, além de manter diálogo permanente com protetores e entidades para o aprimoramento contínuo das ações desenvolvidas", finaliza.