Adolescentes com alterações silenciosas no coração podem enfrentar maior risco
(Foto/Reprodução)
O consumo de bebidas energéticas entre adolescentes e jovens tem gerado preocupação entre especialistas, especialmente após casos recentes de mortes associadas a problemas cardíacos. Embora a comercialização desses produtos seja permitida para essa faixa etária, médicos alertam que o uso exige cautela e acompanhamento, principalmente quando há fatores de risco desconhecidos.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, o cardiologista Raleson Batista explicou que os energéticos não são necessariamente proibidos para adolescentes, mas podem representar riscos dependendo da composição da bebida, da quantidade ingerida e das condições de saúde de cada indivíduo. “O problema não está apenas no energético em si, mas também nas substâncias que compõem esses produtos. Além disso, a quantidade consumida e a associação com outras substâncias precisam ser avaliadas”, afirma.
Segundo o especialista, não existe uma fórmula única para os energéticos disponíveis no mercado. As concentrações de cafeína e outros estimulantes variam de produto para produto, o que pode provocar diferentes efeitos no organismo.
Outro ponto de atenção é o consumo frequente. Para Raleson Batista, a necessidade diária dessas bebidas não deve ser encarada como algo normal. “O consumo diário de energético não é algo interessante. Se a pessoa sente necessidade constante desse tipo de produto, é importante investigar o motivo e buscar orientação médica”, ressalta.
Entre os principais riscos está o desenvolvimento de arritmias cardíacas, alterações no ritmo dos batimentos do coração que podem provocar desde palpitações até situações mais graves, como parada cardíaca.
De acordo com o cardiologista, algumas pessoas possuem predisposição genética ou alterações cardíacas silenciosas, sem apresentar sintomas. Nesses casos, o consumo de substâncias estimulantes pode funcionar como um gatilho para complicações. “A pessoa pode ter uma alteração cardíaca que desconhece. Ao consumir substâncias que elevam a frequência cardíaca e aumentam o metabolismo, ela pode desenvolver uma série de complicações associadas”, alerta.
O médico chama atenção ainda para a combinação entre energéticos, bebidas alcoólicas e outras substâncias, prática comum entre jovens em festas e eventos sociais. Segundo ele, essa associação potencializa os riscos ao sistema cardiovascular.
Diante desse cenário, Batista recomenda que adolescentes realizem avaliações médicas periódicas, especialmente aqueles que praticam atividades físicas regularmente ou possuem histórico familiar de doenças cardíacas. “Pelo menos uma vez durante a adolescência, é importante passar por uma avaliação clínica adequada, seja com um clínico geral, um hebiatra ou um cardiologista, para identificar possíveis fatores de risco antes da vida adulta”, orienta.
Além do acompanhamento médico, hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do estresse continuam sendo apontados como as principais estratégias para a prevenção de doenças cardiovasculares.