O dia 1º de abril, popularmente conhecido como o "Dia da Mentira", costuma ser marcado por brincadeiras e declarações fictícias. No entanto, o psicólogo Sérgio Marçal chama a atenção para a mitomania, um transtorno caracterizado pela compulsão em mentir sobre fatos triviais e cotidianos.
Em declaração ao programa JM News, da Rádio JM, Marçal afirmou que a mitomania pode estar presente em diferentes transtornos de personalidade, incluindo o transtorno de personalidade antissocial, que se caracteriza pela falta de empatia e pelo desrespeito às normas sociais. No entanto, ela também pode ocorrer em outros contextos clínicos e estar associada a sentimentos de angústia e insegurança. Pessoas com esse padrão de comportamento podem, inclusive, esquecer as próprias mentiras, resultando em contradições frequentes.
O hábito de mentir compulsivamente está frequentemente associado a um mecanismo de defesa psicológica. Pessoas que sofrem desse transtorno podem inventar histórias para se sentirem valorizadas e pertencentes a um grupo, tentando preencher um vazio emocional causado por baixa autoestima. "A pessoa tende a se valorizar, a se sentir grandiosa, como uma tentativa de tamponar esse vazio", explica o psicólogo.
A mitomania é um transtorno psíquico que requer tratamento, especialmente por meio da psicoterapia, enfatiza Marçal. Como a mitomania envolve um comportamento consciente, é essencial que a pessoa compreenda os fatores que desencadeiam esse padrão e busque alternativas para fortalecer sua autoestima e desenvolver formas saudáveis de interação social.
O tratamento da mitomania envolve a identificação das causas subjacentes e a reestruturação cognitiva para promover mudanças no comportamento. "A ideia é reconstruir um padrão mais adequado e saudável, permitindo que a pessoa encontre outros meios de satisfação emocional e fortalecimento pessoal", conclui o psicólogo.