DE QUEM FOI A FALHA?

Empresa detalha retirada de adesivos e revela lacuna no controle das antigas viaturas da GCM

Prestadora afirma que as orientações partiram da Localiza e diz desconhecer eventual acompanhamento do Município durante o serviço

Larissa Prata
Publicado em 15/07/2026 às 09:43
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Apesar de ter sido devolvido à locadora, o veículo não teve a caracterização da Guarda Civil Municipal devidamente removida antes de voltar a circular em Uberaba (Foto/Leitor JM)

A empresa responsável pela retirada da plotagem de antigas viaturas da Guarda Civil Municipal explicou como o serviço é realizado, mas a manifestação abriu novos questionamentos sobre o controle exercido pelo poder público durante o processo de descaracterização dos veículos.

Representada pelo advogado Joffre Rodrigues, a Nick John Estética Automotiva informou ao Jornal da Manhã que foi contratada pela empresa responsável pela gestão da frota para retirar os adesivos de 20 veículos que integravam a GCM.

A oficina fica na rua Tenente-Coronel Bento Ferreira, no bairro Mercês, onde um ouvinte do JM News encontrou antigas viaturas estacionadas na sexta-feira (10). Os automóveis já haviam sido devolvidos após a renovação da frota, mas permaneciam em via pública com parte da identificação visual da corporação.

Segundo o representante, os veículos são enviados à oficina em grupos de três, devido à limitação de espaço. A remoção dos adesivos leva, em média, de dois a três dias por automóvel e inclui lavagem, preparação e polimento da lataria. Dos 20 veículos, cinco ainda aguardavam a conclusão do serviço.

A empresa afirmou também que equipamentos e acessórios próprios de viaturas foram retirados anteriormente. Ainda assim, a plotagem restante foi suficiente para que os carros continuassem sendo identificados pela população como pertencentes à Guarda Municipal.

Orientações partiram da gestora da frota

Questionado sobre eventual acompanhamento da Prefeitura, Joffre reafirmou que a empresa contratada pela terceirizada da frota não participa do contrato principal mantido pelo Município. Uma vez contratada pela locadora de veículos, todas as orientações foram repassadas por ela.

O advogado disse que havia determinação para que os veículos não circulassem, mas não proibição específica para que permanecessem estacionados diante da empresa, em via pública.

Embora tenha inicialmente contestado que os carros estivessem em circulação, o representante confirmou que eles chegaram à oficina sendo conduzidos pelas ruas.

“Chegaram circulando, pois as viaturas estão em pátio da locadora e estão sendo levadas de três em três para a empresa, em razão de espaço”, afirmou.

A informação coincide com manifestação complementar encaminhada pela Secretaria de Comunicação. Na ocasião, o subcomandante da GCM, Thulio Amaral, afirmou que os veículos circulavam apenas no trajeto entre a locadora e a oficina e que não haveria irregularidade ou crime em permanecerem estacionados diante do estabelecimento.

Segundo ele, após a devolução, a responsabilidade pela retirada da plotagem e pelos demais serviços passou à proprietária dos automóveis.

A discussão sobre os veículos estarem “circulando” ou apenas fazendo o trajeto até a oficina, contudo, não responde ao principal ponto levantado pela reportagem. As manifestações confirmam que carros ainda identificados como viaturas foram conduzidos e permaneceram durante horas em espaço público, sem aviso de que já não pertenciam à frota municipal.

Enquanto permanecem caracterizados na rua, os veículos ficam sujeitos a furto, roubo, depredação ou outras ocorrências capazes de repercutir diretamente na imagem da corporação. A confusão relatada pelos moradores decorreu justamente da permanência da identificação oficial em automóveis que já não estavam sob controle da GCM.

Na primeira resposta ao JM, a Prefeitura informou apenas ter solicitado “maior celeridade” na retirada da plotagem. Até agora, porém, as manifestações apresentadas não demonstram a existência de orientação municipal específica sobre o transporte, o armazenamento ou a permanência desses veículos em via pública, nem indicam acompanhamento direto da descaracterização.

A responsabilidade operacional foi atribuída à proprietária dos automóveis e à prestadora contratada, mas permanece sem esclarecimento quais cuidados foram adotados pelo Município para preservar a identidade visual da Guarda entre a devolução das viaturas e a remoção completa dos elementos oficiais.

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