Prorrogação mantém três empresas do programa de recapeamento; reforço no tapa-buraco e parceria com Waze convivem com demandas abertas há meses
Três contratos de recapeamento que somam R$ 86,7 milhões foram prorrogados por mais 12 meses em Uberaba. Os acordos chegam ao terceiro aditivo enquanto buracos continuam motivando reclamações em diferentes regiões da cidade, inclusive após o fim do período chuvoso e em endereços que aguardam manutenção há meses ou até cerca de um ano.
As prorrogações envolvem a Terrasa Engenharia, a Santo Pio Serviços e o Consórcio CPR Uberaba IV. Os serviços abrangem recapeamento, reperfilamento e pavimentação asfáltica, além de intervenções complementares em ruas e avenidas.
O maior contrato é o da Terrasa, no valor original de R$ 51.141.603,17. O acordo com a Santo Pio soma R$ 31.551.590,08, enquanto o lote do Consórcio CPR foi contratado por R$ 3.982.940,37.
Os atos publicados no Porta-Voz desta terça-feira (21) prorrogam somente o prazo de vigência. Não há acréscimo financeiro nos novos aditivos nem contratação de outro pacote de R$ 86,7 milhões.
Os contratos fazem parte do programa iniciado em 2023, quando a Prefeitura ampliou as frentes de recapeamento e estabeleceu a meta de alcançar 300 quilômetros de ruas, avenidas e rotatórias. Em outubro de 2024, o Município anunciou que havia superado o objetivo, com 304 quilômetros executados em cerca de 640 vias.
O cumprimento da meta, porém, não encerrou a demanda por reparos. A própria Prefeitura informou que a operação tapa-buracos atendeu 311 pontos em 59 bairros somente nos meses de abril e maio deste ano, com aplicação de mais de mil toneladas de massa asfáltica.
Em junho, o Município anunciou aumento de 35% no volume dos serviços após o período chuvoso e afirmou ter trabalhado em 450 endereços desde abril. Ainda assim, reclamações continuam chegando ao Jornal da Manhã, inclusive durante a estiagem, período apontado pela administração como mais favorável para intensificar a manutenção.
Waze identifica buracos, mas demandas continuam envelhecendo
Outra frente anunciada para enfrentar o problema foi a adesão ao programa Waze for Cities, em julho de 2025. A parceria permite que a Prefeitura acompanhe alertas inseridos por motoristas sobre buracos, acidentes e alagamentos, incluindo localização, tempo de permanência do problema e número de usuários que confirmaram a ocorrência.
A ampliação dos canais de identificação, entretanto, convive com pedidos que atravessam meses sem solução. No bairro Pontal, moradores da rua Pintassilgo relataram em junho que solicitavam manutenção havia aproximadamente um ano. A Prefeitura reconheceu que o endereço estava na programação, mas o serviço ainda não havia sido executado na data da publicação.
No bairro Estados Unidos, outro buraco era alvo de reclamações desde agosto de 2025. O problema foi classificado como prioridade pela Prefeitura em abril, depois de moradores compararem o ponto a um rio quando acumulava água.
Já na rua Menelick de Carvalho, moradores chegaram a improvisar a sinalização de uma abertura no pavimento com uma gaveta. O reparo foi realizado após mais de um mês de reclamações. O caso ganhou até o apelido de “buraco aniversariante”.
Além dos três contratos prorrogados, o Município mantém frentes próprias de manutenção e um reforço contratado por R$ 1,8 milhão para a operação tapa-buracos. A estrutura reúne, portanto, recapeamento completo, reparos pontuais, empresas terceirizadas, equipes municipais e alertas recebidos pelo Waze.
A continuidade das reclamações mostra que atingir uma meta acumulada de quilômetros não significa eliminar a deterioração da malha. Enquanto os contratos ganham mais prazo, parte das demandas também segue avançando no calendário e soprando velinhas antes de encontrar o asfalto novo.