CASOS GRAVES

Casos graves de tuberculose mais que dobram no HC-UFTM em dois anos

Hospital de referência para 27 municípios do Triângulo Sul registrou aumento nas notificações da doença e reforça a importância do diagnóstico precoce e da vacinação

Publicado em 19/06/2026 às 15:14
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O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), referência para atendimento de casos graves de tuberculose em 27 municípios da macrorregião Triângulo Sul, registrou crescimento expressivo nas notificações da doença nos últimos anos.

Dados da unidade apontam que o número de casos passou de 23 em 2023 para 47 em 2024, representando aumento de 104,3%. Quando analisado o período entre 2021 e 2025, o crescimento acumulado chega a 135%. Somente até abril deste ano, já foram contabilizadas 19 novas notificações.

Segundo o médico infectologista Rodrigo Molina, os números devem ser interpretados como um indicativo da situação regional da doença, já que o HC-UFTM recebe pacientes que necessitam de atendimento de maior complexidade.

“O aumento das notificações sinaliza que a tuberculose continua sendo um problema relevante de saúde pública. Muitos dos casos que chegam ao hospital envolvem pacientes com quadros mais graves ou que necessitam de investigação especializada”, explica.

O especialista ressalta que a maioria dos casos pode e deve ser diagnosticada e tratada na atenção básica. A internação hospitalar costuma ocorrer apenas em situações específicas, como formas graves da doença, complicações clínicas, necessidade de exames mais complexos ou dificuldade de garantir o tratamento fora do ambiente hospitalar.

Além da forma pulmonar, considerada a mais comum e responsável pela transmissão da doença, a tuberculose pode atingir outros órgãos e sistemas do corpo. Entre as manifestações estão as formas pleural, ganglionar, óssea, abdominal, geniturinária, pericárdica, meningoencefálica e miliar, estas últimas associadas a maior gravidade.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registra mais de 84 mil novos casos de tuberculose por ano e cerca de 6 mil mortes relacionadas à doença.

Vacinação continua sendo proteção importante

A vacina BCG, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segue sendo a principal forma de prevenção contra as manifestações mais graves da tuberculose, especialmente em crianças.

Embora não impeça totalmente o desenvolvimento da forma pulmonar ao longo da vida, a imunização reduz significativamente o risco de quadros como a tuberculose miliar e a meníngea.

Molina destaca que o aumento dos casos não pode ser atribuído apenas à cobertura vacinal. Fatores como vulnerabilidade social, atraso no diagnóstico, abandono de tratamento, coinfecção por HIV e dificuldades de acesso aos serviços de saúde também influenciam no cenário atual.

Casos resistentes exigem tratamento especializado

O HC-UFTM também é referência para o tratamento da tuberculose multidroga-resistente, forma da doença em que o bacilo apresenta resistência aos principais medicamentos utilizados no tratamento convencional.

Nesses casos, os pacientes precisam de acompanhamento especializado, uso de medicamentos específicos e monitoramento constante para evitar complicações e abandono terapêutico.

“A tuberculose resistente exige uma abordagem individualizada e integrada entre hospital, ambulatórios, atenção básica e vigilância epidemiológica. O tratamento é mais longo e pode apresentar efeitos adversos importantes”, explica o infectologista.

Segundo ele, muitos pacientes acabam interrompendo o tratamento devido à duração e à complexidade do processo. Por isso, equipes multiprofissionais e de assistência social atuam para garantir a continuidade do acompanhamento.

Alerta para diagnóstico precoce

Para os profissionais de saúde, os números reforçam a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento, considerados fundamentais para reduzir a transmissão da doença e evitar formas mais graves.

“A tuberculose tem cura. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito e o tratamento iniciado corretamente, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de complicações”, enfatiza Molina.

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