ARTICULISTAS

As voltas que a vida dá para seguir adiante

Renato Muniz Barretto de Carvalho
Publicado em 31/12/2020 às 14:08Atualizado em 19/12/2022 às 05:23
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Gosto de folhinhas, elas nos ajudam a acompanhar a passagem dos dias. Estamos em meados de dezembro e já ganhei três. Acho que está bom. Uma delas vai para a cozinha, outra para o corredor, ao lado do relógio, e a terceira vai para a mesa de estudos, pertinho da máquina de calcular.

Não sei por quanto tempo ainda vou conseguir essas coisas que, a cada ano que termina, ficam mais anacrônicas. Não, o tempo não para, a história não chegou ao fim, apenas mudam as formas, os contextos, a própria vida. É que, daqui a pouco, só acompanharemos o desenrolar do tempo por meio das telas touch screen dos celulares e dos computadores. Agendas, por exemplo, estão quase extintas. Relógios de pulso, só para os mais velhos e, quanto aos de bolso, acho que ninguém se lembra deles mais. Um dia, esqueceremos até que o tempo passou.

Por enquanto, quando vejo uma folhinha pendurada na parede, isso ainda me dá a certeza de que, depois de um dia, vem outro e assim por diante. Se hoje é domingo, amanhã será segunda-feira e a vida segue seu ritmo.

Ciclos, períodos, caminhos percorridos e a percorrer, qualquer que seja nossa visão sobre o universo, nos indicam que estamos vivos, acompanhando as transformações e as voltas que o mundo dá. Muitos não conseguem enxergar esse processo, outros não conseguem entender que isso é inevitável e se perdem nos meandros da história, nas entranhas dos insondáveis mistérios da vida.

O final do ano, para alguns, significa a conclusão de uma etapa, época de encerramentos, de balanços e de férias. Para outros, são os recomeços, novas perspectivas e inúmeras possibilidades. É a melhor ocasião para se proceder a uma limpeza nas gavetas, substituir roupas gastas e jogar fora papéis velhos. É um período de muita melancolia para os mais sensíveis e de alegria para os otimistas, de avaliação, de determinação ou de fraqueza, de decisões a serem tomadas ou postergadas. Sinto muito, não existem regras. Fica aqui a sugestã ao nascer cada criaturinha devia vir com um manual de instruções para garantir sua sobrevivência. Que tal? Importante é saber que a vida segue.

Com a chegada do fim do ano, alguns ritmos apressam-se e outros se suavizam, às vezes ao mesmo tempo. Compras, reuniões, confraternizações, choros e promessas são sensações que se misturam e se confundem. Os comerciantes e a mídia sabem disso. Eu gosto de ir desacelerando aos poucos, acho mais prudente. Sei que é só um período de transição e não adianta pular etapas. Num instante mais sossegado, vou tirar a folhinha antiga da parede, vou olhar bem cada mês que ficou para trás, vou me recordar de alguns acontecimentos, dos maus e dos bons momentos. Depois, pendurarei a nova folhinha, vou torcer para que diminua o obscurantismo e aumente a ternura, e para que a contabilidade emocional me seja favorável no próximo ano que está chegando. Boas festas!

Renato Muniz Barretto de Carvalho  

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