Simples assim, não é um erro de escrita, talvez seja, de fato, um estado de espírito.
Instado por um casal de amigos, Sergio e Rose Marchetti, contribuí com um capítulo para o livro feito em coautoria com outros 19 autores, obra essa lançada em Belo Horizonte, no último dia 26/06/2026.
Uma experiência ímpar que nos fez refletir, e muito, sobre esta etapa da vida. A riqueza da obra vem da diversidade das experiências ali relatadas por pessoas em diversas etapas da vida, todos 50+, com atividades profissionais variadas e com um propósito: experimentar escrevendo, recordações vividas.
Um grupo heterogêneo na formação, homogêneo na vontade de dividir saberes e, principalmente, dúvidas.
Em especial, tive o prazer de reencontrar Janice, minha professora de Geografia do Marista, e perceber os prazeres e alegrias da mestra ao compartilhar espaço com o aluno do Fundamental. Por ter sido professor universitário, por 25 anos ininterruptos, e encontrar os meus pela vida brilhando, entendo o prazer deste momento. Entendo e respiro cada momento desta etapa.
Nesta Copa do Mundo de Futebol, muito se fala do etarismo de craques que ainda brilham e fazem a diferença por suas seleções, na faixa dos 40 anos, e isto envolve craques consagrados como o argentino Messi e o português Cristiano Ronaldo, mas também o estreante goleiro de Cabo Verde, o Vozinha (Josimar), que tem sido a sensação desta primeira fase. O que parecia impossível no passado hoje é realidade: jogar futebol em alto nível nesta faixa etária.
Voltando ao livro “EnvelheSer”, a experiência se aproxima, pois não está em jogo a escrita, mas a experiência, como a liberdade vivida com motocicleta pela coautora Karla Bruzeguez.
A sensação que temos, olhando para o passado e convivendo com os avanços da ciência, é que podemos mais e mais, sempre. Não quero, neste espaço, criar dicotomia entre juventude e amadurecimento; quero apenas dividir com todos a sensação de que a vida não acaba aos 50, 60, 70... Ela pode, inclusive, recomeçar.
Nosso gigante Chico Xavier já dizia que não se muda o passado, mas, se não podemos fazer um novo começo, podemos começar um novo fim.
E, neste mundo tão conturbado por guerras, disputas geopolíticas, terremotos que assolam nossa vizinha Venezuela, lembrando que já vive um momento conturbado por outras razões, o próprio Haiti, nosso adversário no futebol, e o Brasil com suas mazelas políticas, e voltando ao Diocesano, especificamente ao Irmão Silvio Casério, ainda nos anos 70, dizendo-nos que, quando crescêssemos, iríamos entender que nossos políticos eram farinha do mesmo saco, com honrosas e escassas exceções.
Parar, respirar, ter a chance de envelhecer consciente e ainda fazer parte do livro “EnvelheSer” são uma dádiva e um privilégio.
A vida presta, a literatura salva.
Avancemos. Recomendo a leitura.
Karim Abud Mauad
karim.mauad@gmail.com