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Filmes de Ficção Científica (V): O Mundo em Perigo

Guido Bilharinho
Publicado em 27/06/2026 às 16:14
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Na linhagem filmográfica de ficção científica dos anos 50 nos Estados Unidos referente às consequências das experiências nucleares, destaca-se O Mundo em Perigo (Them!, EUA, 1954), de Gordon Douglas (1909-1993).

Não por ter valor artístico, que não possui, visto que se limita a explorar esse filão temático, que tanto interesse despertava à época, ainda sofrendo o impacto da fantástica domesticação da natureza pelo ser humano, mas que nela, porém, “espalhou a cizânia entre os átomos/ [...] enfureceu a matéria/ e desencadeou seu ódio inumerável/ [....] soltou ao vento os cavalos atômicos/ [....] buscou nas terras bíblicas/ as bestas apocalípticas [...] criou, com Hiroshima e Nagasaki,/ a nova linguagem universal:/ a do grito [...] e que não precisou roubar às galáxias/ o fogo de mil sóis para incender a terra”, conforme o poeta Ricardo Marques, da cidade de Patos, na região do Triângulo, no “Poema Interrogativo” do livro Voo Sem Pássaro, de 1977.

Descoberta e domínio de um dos segredos da natureza a que se sucedem os bombardeios atômicos das cidades citadas pelo poeta e, a partir daí, a ameaça e a possibilidade de guerra atômica entre os antípodas ianques e soviéticos, então disputando, palmo a palmo, a hegemonia e o prestígio mundiais.

Em decorrência disso, o filme subordina-se inteiramente à narrativa, cuja articulação e desenvolvimento constituem seus únicos e restritos objetivos.

Nesse propósito, porém, reúne e cerca-se de elementos ficcionais coerentemente entrançados, de modo que surpresa, incógnita e suspense palmilham seus movimentos iniciais nos areais e rala vegetação de deserto ao sul do Novo México, onde, não por coincidência, mas propositadamente, os Estados Unidos cometeram sua primeira explosão atômica, ainda em caráter experimental final.

As primeiras sequências, que terminam quando a questão se torna centro de debates de alto nível de segurança, são verdadeiramente especiais na sua simplicidade de abordagem diegética e imagética. Linguagem simples, direta e desataviada combinada com movimentos, posturas e atos humanos do mesmo naipe.

Depois disso, depois que acontece confronto direto entre a civilização humana e as consequências de sua intromissão e subversão nas contidas, potenciais e potentes forças energéticas da natureza, o filme perde o ritmo e desencaminha-se conforme se distende e se flexiona pelo ignoto a ameaça que se pretende combater e debelar.

Nesse zanzar, acompanhando o fluxo das monstruosidades então geradas no oco do deserto, a narrativa embrenha-se pelas trajetórias por elas então demarcadas, perdendo-se a simplicidade e pureza da sequência da criança nas cenas inaugurais ao se embrenhar na escassa vegetação ao tempo em que a expectativa gerada por estranhos acontecimentos e apavorantes ruídos emitidos pelas monstruosidades criam clima ameaçador.

Nessa segunda fase, que se estende até o final, apenas salientam-se os interrogatórios no sanatório, onde se encontra forçadamente internado o piloto que teria visto discos voadores, e no hospital, onde curte sua bebedeira crônica, impagável personagem popular.

No mais, é o previsível e o esperado, constituindo vezo e viés de todo filme cujo objetivo é apenas articular história para narrá-la convencionalmente para distração dos espectadores.

Todavia, merece ainda destaque a propriedade e inteligência do título brasileiro em contraste com a pobreza imaginativa do anódino original.

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