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Dom da proximidade

Dom Paulo Mendes Peixoto
Publicado em 12/06/2026 às 18:30
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Os interesses pessoais e comunitários conduzem as pessoas a se aproximarem umas das outras. Assim acontece no domingo, dia do Senhor. Somos convocados pela Palavra de Deus, pela Eucaristia e pela força da convergência da vida comunitária, como momento de louvor e de agradecimento a Deus pelo dom da existência. Desta forma, nós entendemos que a proximidade é dom divino e humano.

Na dinâmica atual, avassalada pelo individualismo, sentimos um esvaziamento da vida comunitária. A Celebração Eucarística, nos domingos, por exemplo, foi parar no ostracismo para muitos cristãos. Podemos até lamentar, pois, o espaço de anúncio da Palavra de Deus tornou-se dispensável, sem aquela expressão significativa que tem e sem força para iluminar a vida e o caminho das pessoas.

A Palavra de Deus precisa ser, frequentemente, escutada, conforme diz o ditado, que “Ninguém segue e nem ama aquilo que não conhece”. Existem sim os espaços, mas pouco utilizados e são substituídos por outros interesses. Antes de enviar os apóstolos em missão, eles tiveram que ouvir as Palavras do Mestre durante uma temporada. Só assim que Jesus confia a eles autoridade para falar.

Ser próximo é ter sensibilidade para conviver no confronto saudável em relação àquela diversidade de dons presentes em cada pessoa em uma determinada comunidade. Esse é o ambiente propício onde é anunciada e escutada a Palavra de Deus, palavra que une e aproxima as pessoas umas das outras. Unidade que exige submissão às legítimas autoridades, que têm, como poder, servir.

Na história e na vida de uma comunidade de cristãos, a fé está acima da Lei, pois ela, sob a ação do Espírito Santo, é condição indispensável para a salvação. Quem pratica autenticamente a fé não depende de lei, porque já cumpre, naturalmente, as exigências dela e contribui pessoalmente para a prática da proximidade.

A fé significa viver reconciliado com Deus, em Jesus Cristo, sabendo que seu olhar divino é de compassividade, ternura e afeto, como o pastor que dá a vida pelas ovelhas. A proximidade dos membros de uma comunidade depende muito de autênticos pastores, que servem e seguem as palavras do venerável e saudoso papa Francisco, “com cheiro de ovelhas”, que as une por força da Palavra.

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