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Prato feito

Iná e Ani
Publicado em 14/11/2023 às 19:33
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É importante lembrar, que todos nós somos uma mistura de virtudes e imperfeições, mas a complexidade de certas pessoas nos chama a atenção. Em nossa peregrinação em pesquisas e entrevistas de gêmeos idênticos, os relatos mostraram uma diversidade de fatos que envolviam relacionamentos variados, erotismos e romances. Pensamos que essa relação de amizade pudéssemos encontrar só nos gêmeos, mas, na verdade, é inerente a qualquer ser humano.

Vivenciar sentimentos compartilhados com um mesmo parceiro pode ser desafiador. Cada relacionamento é único, mas com consentimento mútuo são relações positivas e salutares, desde que não haja prejuízos a terceiros. Eu e Ani éramos assim, em termos de gostos e afinidades até no envolvimento com os rapazes, mas cientes das implicações emocionais nessas questões. Eu sempre lucrava com essa empatia, pois seus namoradinhos me eram entregues de bandeja. Isso nunca foi conflito, era absolutamente saudável.

Como gêmeas idênticas, fazíamos questão de conhecer o namorado uma da outra e era através de uma comunicação aberta, estabelecendo uma conexão entre nós de forma honesta, com confiança e sem constrangimentos. O modo de namorar era igual? Quais suas preferências? Namoros inocentes que poucos conhecem, de uma época distante. Namoros baseados no respeito, afeto, “olhos nos olhos” já era o bastante. Quando o relacionamento envolvia um sentimento maior com amorosidade, a ética e o respeito falavam mais alto e a outra se afastava.

Lembro-me perfeitamente, quando em dúvida com dois namorados, Ani não quis dividir nenhum comigo, porque se afiguravam maravilhosos. Para não perder o controle da situação, pediu que eu me encontrasse com um deles. Como diz o ditado, “a cavalo dado não se olha os dentes’, e lá fui eu. Em determinado momento o "bonitão" começou a passar dos limites e o mandei às “favas”. Ao contar sobre o acontecido, que terminei o namoro por ele ser muito “fogoso”, Ani me disse alto e bom som, que eu não podia ter feito aquilo e gostava dele por ser justamente assim. Deu ruim para mim. Eu me “ferrei”! 

Desnecessário dizer que havia um prazer íntimo nessa troca de identidade, o que nunca foi para nós motivo de balbúrdia, mas tínhamos em mente o objetivo de promover um ambiente saudável para as duas. Nunca assumimos que essas brincadeiras fossem um pouquinho de esperteza, um jeitinho de conseguir ganhos ou sair do esquema politicamente correto. Nosso privilégio em sermos idênticas nos colocava em vantagem e com isso tirávamos proveito. Confundir emocionalmente nossos namorados para nós sempre foi engraçado.

Quem avisa amigo é! Abra os olhos ao namorar gêmeas idênticas, pois é sempre um risco. Não pode apenas encarar com um simples olhar romântico, tem que ter uma percepção visual aguçada ou você está muitas vezes trocando “gato por lebre”.

Dois beijos...

Iná e Ani
[email protected]
Ocupa a cadeira nº 4 da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

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