ARTICULISTAS

A infância e o fim do mundo

Mamãe, quando é que o mundo vai acabar?

Carlos Alberto de Oliveira
Publicado em 13/12/2012 às 20:29Atualizado em 19/12/2022 às 15:49
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“Mamãe, quando é que o mundo vai acabar?” – perguntavam algumas crianças aos seus pais. Eu fui uma delas. Tanto meu pai quanto minha mãe davam a mesma sensata e cristã resposta, de que Deus não teria revelado este segredo nem a Seu Filho, Jesus, portanto, não nos caberia conhecimento tão profundo.

Estas palavras acalmavam nossos espiritozinhos puros, deixando-nos livres de tamanha preocupação. Assim, podíamos correr pelos campos sem medo e só ter esperanças para o futuro.

Pobres das nossas crianças de hoje. Nasceram e convivem com a sombria incerteza do amanhã.

Não sabem se haverá para elas a água. Terão seus próprios filhos?

Imagino como lhes devam ser rudes a internet e a televisão. Até mesmo os trabalhos de escola, que buscam criar em suas lindas e virgens mentes a consciência ecológica que seus avós não tiveram, revelam quanto já se perdeu da natureza e quão difícil será reverter essa trajetória.

Minha filha mais nova, então com seis anos, me pedia sofregamente para que mudasse de canal todas as vezes que o assunto da televisão era relativo à natureza. Era demais para e a minha pequena a realidade atual e a perspectiva adiante. Eu mudava o canal e ela punha-se a acariciar cabisbaixa o pelo macio de Jade, sua indolente gata persa.

Diante das atuais previsões de fim de mundo, desta vez colocadas na conta dos Maias, resolveu-se interpretar que no próximo dia 21 de dezembro de 2012, lá se vai o mundo embora. Como se as crianças precisassem de mais essa...

Lá se vão também seus pais, seus irmãos, seus amiguinhos, sua escola. Faz-se em fumaça ainda os seus longínquos sonhos de ter seus próprios filhos, de dar a eles o carinho que dão aos seus brinquedos, de dar a eles os brinquedos como sinal do seu carinho.

Agora, imagino que o meu papel de pai me incumbe de lutar contra essa indústria de angústia, pelo amor que temos aos nossos filhos, e ensinar-lhes que a grande mudança que se pode esperar é a de uma profunda transformação espiritual ou física, mas positiva.

Ensinar-lhes que há muitos bons homens no mundo e que eles são a maioria.

É nossa a responsabilidade de desenvolver nos nossos pequenos o importante senso crítico que os livrará das correntes do pensamento em bloco.

Se eles são as nossas esperanças, somos nós as deles.

Eles merecem que dediquemos nossa atenção a dar-lhes paz aos pequenos corações. Imagino que mereçam também receber de mim a mesma verdade salvadora vinda dos meus pais.

Que se acalmem os nossos pequenos.

Nem Jesus sabia.

(*) Escritor

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