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Uberaba, 21 de maio de 2019 -

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Lídia Prata
Gisele Barcelos CHECKLIST MUNDO 25/03/2019

Aumentar a contagem de países percorridos se tornou uma mania na comunidade viajante. A fixação é tão forte que muita gente trocou a descrição pessoal no perfil do Instagram pela somatória de destinos visitados até o momento e um aviso dos próximos locais que estão no roteiro de férias.

Não nego: ver o número de lugares percorridos crescer e as páginas do passaporte preenchidas por carimbos é emocionante. Mas vem chamando a atenção a tentativa frequente de realizar todo o processo a jato. É um distúrbio que eu chamo de “síndrome dos cinco países em 15 dias”.

Nos grupos do Facebook que participo, são muitos os mochileiros organizando percursos apressados, principalmente pela Europa, para aumentar a contagem de países visitados. A escolha do verbo visitar foi proposital, pois não acredito que é possível conhecer realmente um lugar com um itinerário apertado de check ins para fazer.

Do ponto de vista da logística de deslocamento, montar roteiros “5 por 15” pode ser até viável. Ainda mais na Europa onde as fronteiras são tão próximas. No entanto, fiquei pensando quanto tempo demorou para apreciar os detalhes da cidade de Santos, onde eu nasci e cresci. Se enxergar as atrações além da praia no litoral paulista já me exigiu menos pressa, quanto mais para conhecer de verdade um outro país.

Na minha opinião, é um pecado roteiros que se dividem em quatro dias em Londres, quatro dias em Paris, e três dias em outros pontos da Europa. Vai dar tempo sim de passar e tirar selfie nos cartões-postais, mas não para a experiência de vivenciar com calma a culinária, os costumes e a cultura local. Acredite: viajar mais devagar vale a pena.

Não é apenas a jornalista aqui que defende essa proposta. Na verdade, existe um movimento chamado “Slow Travel” e que significa exatamente “Viajar devagar” em português. A ideia é inspirada no "Slow Food", um movimento que nasceu na Itália, como uma forma de protesto contra a abertura de uma loja do McDonald’s na Piazza di Spagna em Roma. A ação defende, entre outras coisas, uma alimentação mais calma, com o cuidado de saborear a refeição, identificar cada ingrediente e vivenciar o momento.

O Slow Travel parte da mesma premissa e os seus seguidores têm como objetivo a oportunidade de viver algo real e autêntico em cada destino, observando (e até se misturando) a rotina dos nativos, a movimentação das cidades, os contornos da paisagem local e os segredos que só se revelam a quem tem tempo.

Dentro dessa proposta, hoje o próprio Airbnb não é mais somente uma plataforma de hospedagem, mas também conecta viajantes a moradores locais dispostos a compartilhar experiências especiais em diversos lugares ao redor do globo.  

Ficou curioso? Então, é hora fazer escolhas e aprender a dizer NÃO ao roteiro estilo corrida maluca. Diminua o ritmo, escolha um destino e mergulhe nele profundamente. Lembre-se: o que não der para incluir nessa viagem sempre será a desculpa perfeita para uma nova aventura. E tudo será muito mais especial! 

*Gisele Barcelos é uma jornalista viajante, que adora pesquisar e montar roteiros para aventuras pelo Brasil e exterior. Além de escrever sobre política no Jornal da Manhã, é autora do blog Checklist Mundo, onde compartilha suas andanças e experiências pelo mundo afora.

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