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Uberaba, 19 de agosto de 2018 -

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Experiência real

Um simples gesto de bater o pé direito no piso e ordenar ao meu cão Kiko para que aguardasse à distância e ser chamado à refeição, simplesmente marcou minha vida. Uma dor intensa na extremidade superior do fêmur direito me fez sair dali claudicante. Quebrei meu fêmur, pensei... 

Comecei verdadeira peregrinação para sanar a dor que aos poucos se estendeu a todas as articulações do corpo, com destaque para a coluna cervical. Um médico, depois de vários exames, não fechou o diagnóstico. Outro seguiu conduta diferente e não concluiu também um diagnóstico, além de me dar longo receituário e a triste notícia: “Os sintomas que você apresenta têm muita relação com câncer nos ossos. Não descarregue o peso sobre a perna direita. Receito-lhe uma bengala”. Revelo que não me sucumbi porque tenho absoluta confiança em Deus.

Comprei a bengala e usei-a por 52 dias. Confesso que vivi experiência sui generis, a começar pela incerteza dos meus futuros dias, marcada pela célebre pergunta que me faziam: “Uai! O que lhe aconteceu? Por que essa bengala?”, sem dizer dos olhares subliminares e discriminatórios, próprios dos que não convivem bem com as diferenças. Estímulos da família e de verdadeiros amigos me encorajaram a vencer.

Sem nenhuma regressão da dor, procurei outro médico. Com infiltrações a alto custo, ele “zerou o mal” que voltou seis meses depois com carga redobrada. Insônias e pesadelos faziam parte da minha rotina.

As defesas mentais que ao longo da vida construí foram minhas sólidas guardiãs. Reestruturei meu sistema psicológico, recobrei os sentidos e me lembrei que em mim mesmo estavam as reservas de que tanto eu precisava. Dizia meu saudoso pai: “A vida gosta de quem gosta dela”. Fui procurar um quarto médico partidário da mesma frase e mestre em Medicina descomplicada. “Não quero ver nenhum exame. Quero vê-lo dentro de uma piscina a céu aberto três vezes por semana”, disse ele. Assim fiz e o faço há quase quatro anos. Não tomei Doril e as dores sumiram. Troquei a bengala pela hidroginástica, as caminhadas e o Pilates. Mudei minha alimentação, além de puxar para baixo 5kg em meu peso. Felizmente o meu drama acabou.

Por que narro esta experiência? Não com o intuito de ensinar, mas sim com o objetivo de mostrar que causa nenhuma está perdida. Nós sim é que nos perdemos na busca da sua solução. O primeiro movimento interno é exatamente o de acalmar os pensamentos alarmantes que em nós ficam de plantão, ou vêm de outras mentes.

Descobri e vivenciei a importância do termo “deficiente físico”. Concluí que ninguém é deficiente, se na mente e no coração residem reservas capazes, não só de ajudar a si mesmo, como também para dar forças no semelhante. A imobilidade física comprometida, a dificuldade para ouvir ou ver, são apenas detalhes diante da grande importância da vida.

No dia 15/05/2018 passei às mãos do Sr. Prefeito Paulo Piau um manual contendo 122 itens voltados à acessibilidade e mobilidade do idoso, inspirado na experiência real ora narrada. Espero que este texto sirva de ajuda a quem necessite.

Valeu-me muito o ensinamento logosófico: “...que sempre, em todos os momentos de sua vida, por amargos que sejam, confie firme e decididamente em Deus”. BC-11/1

 

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