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Uberaba, 18 de dezembro de 2018 -

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Lágrimas por um (des)conhecido

O cachorro do Carrefour, como agora é conhecido, se tornou tema das manifestações nas redes sociais. Não só dentro do mundo virtual. Já existem até encontros para marcar um protesto nas ruas, em frente do estabelecimento. Ouvi e li alguns comentários que me fizeram respirar fundo e vir aqui escrever. Para você que não sabe do que estou falando, um cachorro de rua que ficava na região foi espancado por um segurança que trabalhava em uma das unidades do Carrefour de Osasco, em São Paulo. Segundo testemunhas, o vira-lata teve as patas quebradas e após sangrar muito, sem cuidados, morreu. Dizem que tentaram salvá-lo, mas infelizmente ele não resistiu. 

Não é preciso nem ver imagens para sentir, pelo próprio relato, um aperto no peito pelo que ocorreu. Independente se era um cachorro de rua ou não, de raça ou não, fiquei pensando: por que maltratar um animal, qualquer um, dessa forma? No Brasil, existe uma punição para estes atos, prevendo inclusive pena de prisão. Maltratar um animal é crime ambiental. Ainda assim, casos como estes se repetem todos os dias.

Muita gente questionou se o caso não gerou repercussão desnecessária e que partidos e grupos políticos se aproveitaram dessas situações. Sim, é verdade. Tem pessoas que se beneficiaram ao expor o caso e exigir consequências. Ainda que a intenção do ato tenha interesse próprio, a viralização do que aconteceu com o vira-lata foi importante para nos lembrar de muitas coisas.

Lembrar que as redes sociais, apesar de estarem cheias de coisas fúteis que podem não agregar nada à nossa vida, se tornaram uma importante ferramenta de expor e pressionar instituições, partidos, empresas. Que, apesar de não ser meu cachorro, seu cachorro, o cachorro da vizinha, ainda temos sensibilidade o bastante para sentir empatia e tristeza pelo que ocorreu.

Quem sabe se a gente se posicionasse mais sobre as dores do outro, ou de um animal, o mundo já não estaria muito melhor? Pelo menos quando compartilhamos, curtimos insatisfações como essas, estamos cobrando. Cobrando não só ações da empresa e punições legais para o funcionário, como lembrar que crimes contra a vida de qualquer um, seja animal de quatro patas, com asas, ou pernas, devem receber sua devida punição. 

No fim, o vira-lata era apenas mais um vira-lata, como muitos outros espalhados pelas ruas do nosso país. Ele, que talvez nunca tenha tido um dono, ou uma casa, infelizmente ficou conhecido pelo cachorro do Carrefour.

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