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Uberaba, 20 de abril de 2019 -

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Dirceu Cardoso Gonçalves

“O cara” é... nosso

Nunca, jamais, um governante brasileiro teve a gama de elogios e afagos que Lula tem encontrado mundo afora, nos últimos tempos. Anteontem, o presidente Barack Obama disse gostar dele e afirmou, no sentido positivo, ser Lula “o cara”. Para nosso orgulho, o retirante nordestino, que veio para o sul num pau de arara e chegou a conhecer a fome, é o maior exemplo de resistência, valor e progresso do homem brasileiro. A outrora desprezada “república de bananas” chegou, justamente durante o seu governo, à condição de oitava economia do mundo e hoje figura como um dos bastiões e exemplo de resistência à crise econômica mundial, entre outras vantagens.

Certo que os bons indicadores de hoje são consequências de décadas de trabalho de toda a sociedade – governos, empresariado, entidades e povo –, mas ninguém pode negar que Lula deu continuidade e implementou novos conceitos de Economia e a boa notícia veio durante o seu mandato. Que o seu carisma, sensibilidade política e senso de coordenação fizeram a sua ascensão à primeira magistratura do país. Há que se reconhecer também que o mundo de hoje é outro, a ponto de um negro ser o presidente dos EUA, situação inimaginável até bem pouco tempo atrás.

Inteligentemente, o próprio Lula procura minimizar os elogios que os governantes das maiores potências do mundo lhe dirigem. Mas é bom se precaver, pois essa notoriedade traz obrigações e a sugestão de comportamentos que jamais se cobraria de figuras obscuras. A partir do momento em que é considerado positivo e internacionalmente como “o cara”, nosso presidente não pode, jamais, sofrer qualquer escorregão administrativo e muito menos político. Tem de tomar extremo cuidado ao conduzir sua sucessão – embora já tenha declarado que Dilma Roussef é sua pré-candidata – e precisa terminar o seu governo em alta. Os mesmos que o elogiam hoje certamente serão seus críticos (até carrascos) se, de alguma forma, utilizar o governo para macular o processo eleitoral ou se, por qualquer razão, seu governo vier a se envolver diretamente em escândalos ou fizer algo que possa ferir a ética internacional.

Lula, já perseguido por ser “de esquerda” e hoje festejado pelos maiores líderes mundiais, tem de aproveitar o bom momento para remover obstáculos que nos prejudicam nas relações com as grandes economias. Não pode transigir na questão amazônica. Confirmar o seu prestígio trabalhando forte para a quebra de barreiras protecionistas enfrentadas pelos nossos produtos. Lutar pelo fortalecimento do Mercosul e, principalmente, buscar a cooperação internacional para resolver o grande passivo social do Brasil, que, apesar de sua pujança, ainda não consegue dar emprego, moradia, saúde, educação e o sustento para muitos de seus cidadãos, hoje submetidos às esmolas oficiais. É necessário garantir condições para que os assistidos de hoje caminhem com as próprias pernas no amanhã.

Na medida em que fizer isso, mesmo que o consiga apenas parcialmente, será “o cara”, também para o povo brasileiro...

 

(*) Dirigente da Aspomil
aspomilpm@terra.com.br

 

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