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Uberaba, 20 de abril de 2019 -

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Dirceu Cardoso Gonçalves

O castelo de areia, o joio e o trigo

Pontificam no cenário nacional as diferentes operações realizadas com eficiência pela Polícia Federal, com suporte no Ministério Público, que têm levado indistintamente  para a cadeia empresários, altos executivos, policiais e até políticos. Gente de muito poder que, até bem recentemente, jamais se poderia imaginar atrás das grades. Esse procedimento chega a confortar o povo e a desmentir o dito popular que cadeia é feita só para três "pês": pobre, preto e prostituta. Mas, de outro lado, dá a triste impressão de que vivemos num país de corruptos, falsários e ladrões.

É preciso encontrar urgentemente o ponto de desvendamento dos casos. Entender que todos os cidadãos, pobres, ricos, religiosos, ateus, brancos, amarelos ou negros, têm os mesmos direitos e deveres legais. E que, quando não os cumprem, é justo  sofrerem as penalidades da lei, aplicadas pelos órgãos de direito (Polícia, Ministério Público, Justiça e afins). É a mão do Estado fazendo prevalecer o seu "imperium".

Num regime democrático, como o do Brasil de hoje, é difícil evitar que os trabalhos policiais envolvendo figurões ganhem as manchetes e sejam tratados como verdadeiros escândalos. Mas existem posturas que merecem destaque. Mesmo diante da adversidade, o grupo Camargo Correa, por exemplo, ao ter a sua sede ocupada pelos policiais da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal,  protestou contra o formato do trabalho, que prendeu alguns de seus colaboradores de cargo de confiança, mas reafirmou sua absoluta confiança na Justiça e prometeu colaborar com as investigações. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reagiu prontamente às informações de que alguém a ela ligado esteja envolvido na doação de dinheiro ilícito para partidos políticos. Os partidos citados também o fizeram, garantindo não terem recebido doações ilegais.

É difícil acreditar que a Camargo Correa, a Fiesp e tantas outras instituições de reconhecida seriedade e larga folha de serviços prestados ao Brasil e ao mundo tenham se permitido cometer crimes fiscais, eleitorais ou financeiros, como os apurados pelas operações policiais. Seria mais crível que alguém, ligado a essas instituições, com as informações estratégicas do exercício profissional, tenha quebrado as regras de confiança e praticado, em interesse próprio ou de terceiros, as delinquências hoje apuradas. Se, ao final das investigações, algo do gênero restar provado, melhor para o Brasil e para a imagem brasileira, tanto no país quanto no exterior.

O trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça, sem qualquer dúvida, está conseguindo passar o Brasil a limpo. Mas precisamos evitar que seus resultados sejam utilizados política ou eleitoralmente e que corporações e instituições idôneas sejam jogadas na vala comum dos peculatários, estelionatários e ladrões. Que os autores das falcatruas sejam punidos exemplarmente, mas sejam preservadas as organizações, mesmo que tenham de passar pelo expurgo de componentes e de procedimentos incorretos. Há que se punir todos os erros, mas isso não deve, em momento algum, destruir ou macular os acertos, o trabalho e os benefícios que a atividade regular têm proporcionado à comunidade e ao progresso e credibilidade do Brasil. Fazê-lo seria o mesmo que acertar o tiro no próprio pé...

 

(*) dirigente da ASPOMIL
aspomilpm@terra.com.br

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