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Uberaba, 25 de junho de 2019 -

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Dirceu Cardoso Gonçalves

O (injusto) salário do aposentado

Mais um ano termina, com a grande legião de aposentados descontente com seus baixos rendimentos. Reclama até quem teve a sorte de conseguir proventos mais próximos aos seus salários – caso dos servidores públicos –, tidos como privilegiados pelos demais. A instabilidade econômica, a inflação e os percalços da economia eliminaram o parâmetro de salário justo ou razoável para a população.

O Salário Mínimo, criado nos anos 40, foi, durante muito tempo, o indexador de valor entre o trabalho e os serviços. Governos irresponsáveis e demagógicos que se sucederam eliminaram essa equivalência sob o pretexto de que, com isso, seria mais fácil aumentar o rendimento de quem ganha o Mínimo. Porém, o Salário Mínimo continua muito longe de atender às necessidades básicas do trabalhador.

Os aposentados da Previdência Social que, durante a maioria dos 30 ou 35 anos de trabalho, recolheram com base em dois, três, cinco ou dez Salários Mínimos, hoje se sentem “roubados”, porque recebem proventos muito inferiores à faixa de Salários Mínimos em que contribuíram. Carregam a amargura de criaturas enganadas, principalmente porque os homens do governo, quando eram da oposição, faziam candentes discursos criticando o governo de então e acenando com respeito ao salário do aposentado. Respeito que, na prática, não existe.

Denuncia-se que o dinheiro da Previdência Social tem sido desviado para o pagamento de juros da dívida pública e outras despesas estranhas ao custeio das aposentadorias e da seguridade social. O noticiário informa sobre fraudes milionárias e desvio de dinheiro que, normalmente, não retorna aos cofres do instituto previdenciário, para onde deveria voltar com juros e a correção monetária.

Em vez de sangrar o pecúlio do trabalhador, o governo deve respeitar o cofre do INSS e, se mesmo assim ele for insuficiente para pagar aposentadorias dignas, destinar verbas públicas para reforçar o caixa, como agradecimento ao trabalho que fez o país crescer e se desenvolver. Seguir o exemplo dos países desenvolvidos, onde o trabalhador recebe proventos dignos porque não há desvio de finalidade.

Uma séria pesquisa atuarial revela que o trabalhador que recolheu sobre três Salários Mínimos, ao final de 35 anos, se aposenta com proventos de R$ 690 mensais; e que se esse em vez de recolhido à Previdência, o mesmo dinheiro fosse depositado na caderneta de poupança, hoje ele teria acumulado R$ 354 mil e poderia sacar R$ 1.773,76 ao mês, ou seja, R$ 1.083,35 a mais, só de juros, sem mexer no capital principal e nem levar em consideração o justo merecimento de cada um pelo trabalho que gerou o progresso e o desenvolvimento.

Enganam-se e cometem injustiça os que, apesar de tudo, ainda qualificam os aposentados como parasitas ou fardo à economia. É preciso lembrar que eles já cumpriram sua missão, e estão prejudicados porque o dinheiro que entregaram ao governo para a aposentadoria rendeu muito menos que a caderneta de poupança, a aplicação mais popular desse país. Algo de urgente tem de ser feito pelos velhinhos. Especialistas dizem que o propalado déficit da Previdência não existiria se o governo não desviasse o dinheiro. Então, há que se adotar medidas para recolocar o salário do aposentado no seu devido lugar e, finalmente, praticar a justiça social. Questão de respeito e dignidade...

 

(*) diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares

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