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Uberaba, 20 de abril de 2019 -

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Dirceu Cardoso Gonçalves

E agora, quem atrasa os aviões?

O passageiro de avião mais uma vez é prejudicado com o mau serviço prestado no setor. O caos aéreo que, no último ano, derrubou ministro e diretorias dos órgãos encarregados do setor e chegou até a causar instabilidade à Aeronáutica, continua presente. Os viajantes tendo de esperar horas nos aeroportos sem a devida assistência das companhias aéreas, que demonstram competência irrepreensível apenas na hora de arrecadar o dinheiro das passagens. Atrasos da ordem de 30% dos vôos, como os registrados em Brasília, Rio e São Paulo, os aeroportos mais movimentados do país, depõem contra o setor. Se não consegue manter nem a tabela de horários, o que pensar da segurança de vôo?

Há um ano havia a costa larga dos controladores militares, que faziam greve e eram culpados dos atrasos. A Aeronáutica aplicou os regulamentos militares, fez prisões e inquéritos e (bem o mal) resolveu o problema. E agora, de onde vêm os atrasos?

Quando assumiu, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, vestiu uniforme camuflado, voou para todo o país e fez muitos discursos contra o caos. Acenou com obras, mudanças de procedimentos e uma série de modernizações que, pelo visto, dificilmente sairão do seu discurso. Basta a demanda aumentar um pouco, já se restabelece o calvário dos milhares de usuários. Justifica-se que a demanda cresceu muito, mas isso não é desculpa, pois com ela também aumentou a arrecadação.

Os atrasos nos vôos justificam-se apenas por questões climáticas, que o homem não tem como controlar. A chuva, o frio, a neve e outros fenômenos naturais ocorrem e obrigam a parar os aviões. Apesar das chuvas da estação, o tempo não tem sido o responsável pela retenção nos aeroportos brasileiros. Preliminarmente coloca-se a culpa na operação das companhias aéreas. O atraso de uma teria atrapalhado as outras e, finalmente, se estabelecido o caos.

Estamos no meio da grande jornada de fim de ano. Milhares de brasileiros sofreram para chegar aos seus destinos e, com certeza, estão preocupados com a volta. Espera-se que os órgãos controladores tenham a agilidade suficiente para exigir das companhias aéreas mais competência e respeito ao consumidor. Que o avião e a tripulação, em condições de voar, estejam disponíveis no horário previsto para a decolagem, e não haja mais assentos vendidos do que os existentes.

Apesar dos preços promocionais, o transporte aéreo é caro. E ainda é acrescido de tarifas de embarque e outros custos e impostos que sustentam as atividades de fiscalização e suporte. Toda vez que pagamos e não somos devidamente atendidos, ficamos com aquele sentimento de enganados e de pouco-caso e incompetência das companhias aéreas e do próprio governo.

Espera-se que, já na volta para casa, os brasileiros consigam viajar em aviões partindo e chegando no horário previsto. Que o ministro Jobim e sua equipe consigam demonstrar, na prática, a que vieram...

 

(*) tenente; diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
aspomilpm@terra.com.br

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