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Uberaba, 18 de outubro de 2018 -

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SOS Supam

Às vezes me ponho a refletir sobre a habilidade que Uberaba possui em perder instituições educacionais de relevância. Com justificativas e épocas diferentes, perdemos a Fista, a Escola de Enfermagem, a Escola de Formação Gerencial Sebrae/Aciu e, na atualidade, corremos o grande risco de extinção do Zezão (em médio prazo) e da Supam – Sociedade Uberabense de Proteção e Amparo aos Menores – (em curto praz

Mais uma vez assistimos ir por água abaixo o pressuposto constitucional de que a Educação é dever da Família, da Sociedade e do Estado. No caso específico da Supam, a sociedade fez a sua parte quando, em 1959, o juiz de Menores Dr. Venceslau Milton, sua esposa Francisca Valias Venceslau e um grupo de amigos a criaram.

De lá para cá, esta família vem pilotando por três gerações consecutivas esta instituição com o apoio de parcerias bem-sucedidas, como a que fizeram com as irmãs da Congregação Oblatas do Santíssimo Redentor durante trinta anos, entre 1974 e 2005, Academia de Dança Beth Dorça, Colégio Dr. José Ferreira e Prefeitura Municipal e UFTM, por exemplo.

Desde sua fundação até o presente momento e antenada com as mudanças sociais, os dirigentes da Supam nunca perderam de vista os seus objetivos iniciais de oferecer às meninas e adolescentes do sexo feminino, em situação de vulnerabilidade e risco social, amparo, acolhimento, educação, promoção humana e desenvolvimento de suas potencialidades que acabam por resultar em melhor qualidade de vida presente e futura.

Em regime de semi-internato, o tempo das assistidas é dividido entre o Ensino Regular, que é oferecido pela Escola Estadual Anexa à Supam, e, no contraturno, participam de atividades diversas, como aulas de bordado, reforço escolar, natação, dança, música, esportes e outras atividades em oficinas semanais. Recebem, quando necessário, atendimento psicológico individual ou em grupo, orientação familiar, visitas domiciliares, encaminhamentos sociais e de saúde, acompanhamentos diversos e, em resumo, desfrutam do que chamamos Atenção Integral.

Em meio a isso tudo, é preciso destacar os valores que norteiam o trabalho dos diretores da Supam e sua equipe. Numa visita recente para tratativas acerca da realização de um projeto naquele local, meu olhar, acostumado a conviver com instituições educacionais, focou-se na limpeza, organização e na alegria das meninas, que naquele dia participavam de um desfile. Isso tudo sem falar que durante estas seis décadas nunca respingou dúvidas ou questionamentos sobre a ética e a lisura da família Venceslau.

Os leitores devem estar se perguntando por que este título, se tudo corre tão bem na Supam, e eu informo àqueles que ainda não acompanharam pela imprensa e redes sociais: a continuidade do trabalho da Supam está por um fio...

Sabem por quê? Porque o Estado de Minas Gerais – como tantos outros brasileiros –, imerso em suas dificuldades financeiras, não está conseguindo pagar o aluguel do espaço cedido para a Escola Anexa à Supam e, como sabemos que “saco vazio não para em pé”, sem receber este justo repasse, a Supam não tem tido como honrar seus compromissos financeiros com sua equipe multidisciplinar e demais despesas de rotina, para pavor e desespero das meninas assistidas e suas famílias, que até então podiam trabalhar sem preocupação.

Esse tipo de acontecimento me afeta em minha essência porque, durante certo tempo, representando a Secretaria de Educação no Comdicau, presidido à época por Neusa Kopke Venceslau, pude tomar conhecimento da carência local para acolhimento de menores em situação de risco social. Tão grande que, como consequência, gestei e gerenciei com alguns amigos uma Casa Lar, um projeto que fez diferença na vida de muitos e que também naufragou em meio a tantas dificuldades.

Meu apelo neste artigo é que estejamos atentos em relação à situação da Supam e ao desenrolar dos fatos e nos juntemos aos receios dos familiares das meninas e adolescentes que serão fortemente prejudicadas, caso este impasse não seja resolvido.

Vamos fazer a nossa parte!

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