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Uberaba, 25 de junho de 2019 -

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Moura Miranda

SÉRIE - Os melhores do Futebol de Uberaba

 OLHO NO OLHO

BOM COMEÇO. O Uberaba teve um bom começo de Terceira Divisão. Mesmo sem arrancar suspiros e provocar arrepios venceu o Ituiutabano por 3 a 0. Ainda não sei o resultado da partida contra o Portal, realizada após a coluna ficar pronta, mas qualquer que seja o resultado não deve atrapalhar a vida do Colorado nesta primeira fase. O time de Ituiutaba é fraco e não deve se classificar.

PARECIDO. Guardadas todas as proporções necessárias, acho o atual Uberaba parecido com o Cruzeiro. Isto é: tem um elenco muito homogêneo para disputar a competição o que pode fazer a diferença.

COMANDO. Espero que o técnico Gerson Evaristo tenha a mesma habilidade, o mesmo comando no Uberaba que o Marcelo Oliveira está tendo no Cruzeiro. Ter muitos jogadores em condições de titularidade é bom se o treinador souber controlar o grupo. Tê-lo na sua mão. Marcelo Oliveira tem este mérito no Cruzeiro. Lá todos estão satisfeitos, os que são titulares e os reservas.

POUCO DIFERENTE. O Uberaba do jogo de estreia não foi muito diferente daqueles que fez nos amistosos. Ainda tem problemas a serem resolvidos. Espero que no jogo do Parque do Sabiá o time tenha mostrado uma boa evolução. Tem jogadores para isto. É preciso saber escalá-los e orientá-los bem. O técnico pode usar formações diferentes sem perder a qualidade.

TORCEDOR PRESENTE. Não sou daqueles que se decepcionaram com o público de mais de 1.300 torcedores que foi ao Uberabão ver a estreia do Colorado. Não se pode exigir público de Campeonato Brasileiro na Terceira Divisão do Mineiro. Se os resultados forem sendo bons, o número de torcedores também irá melhorando. O público do Uberabão foi o maior da primeira rodada.
 
TRANSPARÊNCIA. Gostei da transparência da diretoria em relação ao público e à renda. Divulgou tudo bem explicado para a imprensa: número de torcedores, renda bruta, despesas, renda líquida e tudo mais. Não custa nada fazer as coisas corretamente. Foi um bom começo. Que continue assim.

SURPRESAS. As surpresas da primeira rodada da Terceira Divisão ficaram para as derrotas de Valério e Funorte, duas equipes consideradas favoritas para chegar à próxima fase da competição. O time de Itabira foi goleado pelo Nacional de Muriaé e o de Montes Claros perdeu para a Betinense. Vamos ver como irão se sair neste fim de semana.

BRASIL EM BAIXA. Os amistosos que a Seleção Brasileira realizou nos Estados Unidos serviram para mostrar que o nosso futebol está mesmo em baixa. Foram apresentações ruins. Por mais que alguns colegas da grande imprensa tenham tentado fazer o torcedor acreditar que o time jogou bem contra a Colômbia, isto não aconteceu. Contra um time colombiano totalmente renovado, a vitória só aconteceu na cobrança de falta feita por Neymar. Mesmo com um jogador a menos, a Colômbia jogou de igual pra igual.

PIOROU. Contra o Equador, o time, ao invés de evoluir, piorou. Contra um adversário mais fraco, o futebol brasileiro esteve ainda mais fraco. Mais uma vitória com jogada de bola parada. Foi pouco. Muito pouco. Dunga terá que fazer mágica para a Seleção Brasileira voltar a ser respeitada.

NOVOS VEXAMES. O Brasil corre o risco de dar novos vexames quando jogar contra adversários de primeira linha. Este jogo contra a Argentina no mês que vem, em Pequim, será um perigo. Se os hermanos forem com a força máxima podem nos humilhar, como fizeram com os campeões do mundo em plena casa deles. Cuidado, Dunga.

JUSTIÇA DESPORTIVA? A palavra Justiça está ficando desmoralizada neste país. Em todos os setores, mas no esportivo principalmente. O que aconteceu no caso Pétros, do Corinthians, foi uma vergonha. O jogador deu uma trombada proposital  no árbitro. Foi julgado e pegou seis meses de suspensão. O clube recorreu, aconteceu o segundo julgamento e a pena foi reduzida para três partidas. Quem está brincando? Quem deu pena inicial de seis meses ou quem reformou para três partidas?

AMADORÃO EM ALTA. Na rodada do Amadorão de hoje, mais um jogador, que até pouco tempo atuava no futebol profissional, fará a sua estreia. Rafael Ipuã estará com a camisa do Vila Nova contra o Bonsucesso. É mais um atleta que resolveu deixar o futebol profissional para atuar no futebol amador.

BOM NEGÓCIO. Vários atletas que anteciparam o encerramento de suas carreiras profissionais e atuam no futebol amador da região não estão tendo do que se queixar. Apenas para jogar nos finais de semana, sem compromissos com treinamentos, concentrações e sem as pressões existentes no profissionalismo, ganham praticamente o mesmo dinheiro e em alguns casos até mais.

REALIDADE. Esta é a atual realidade do futebol no interior. Pouquíssimos profissionais ganhando salários compensadores e a maioria apenas sobrevivendo. Muitos trabalham e ainda não recebem o que têm direito quando terminam os seus contratos sendo obrigados a recorrer à Justiça Trabalhista.
Bom domingo a todos!!!

 

TINOCO: UMA UNANIMIDADE COMO CRAQUE DO NACIONAL
 

   
 Tinoco começou cedo no Nacional. Na foto, no juvenil Naça, logo após retornar de São Paulo  Com Wilson Piazza, com quem travou grandes duelos no meio de campo

 

 

   
 
 Quando treinava no juvenil da Portuguesa de Desportos voltou para Uberaba para servir ao Tiro de Guerra e o Naça não o deixou voltar  

 

 

   
 
 Era o maestro do Naça numa época em que o Uberabão ainda tinha cobertura  

 

 

   
 Ao lado de Oldack Rossi, um dos melhores com os quais jogou no time alvinegro  Com a faixa de campeão da Segunda Divisão com o Nacional

 

 

   
 
 Com o craque cruzeirense Tostão e o repórter fotográfico do
Jornal da Manhã, Paulo Nogueira
 

 

 

   
 
 Em foto com Sudaco, que foi seu “mestre” no Nacional e faleceu recentemente em Jaguariúna SP  

 

 

   
 
 Tinoco, como seu amigo Toinzinho, tem na pescaria, hoje, o seu esporte preferido  

 

 

   
 Um galã na juventude, um velho                         tranquilo hoje  

 

 

   
 
 Paulo Silva, companheiro de redação no JM e de viagens com o seu Uberaba Sport, nos deixou no último fim de semana. Na foto de sua época de secretário municipal entregando um troféu a Edson Shell, capitão do Colorado  

BATE BOLA

Torcedores, dirigentes e jogadores que o viram jogar são unânimes em garantir que Tinoco foi o craque mais regular que o Nacional Futebol Clube teve até hoje. Jogou aproximadamente 15 anos no Alvinegro, teve propostas para sair, mas preferiu começar e encerrar a sua carreira em JK.

Vamos bater bola com ele hoje.
Futebol de ontem?

Mais alegre, mais técnico, mais criativo. Os melhores de antigamente tinham o raciocínio rápido, faziam jogadas bonitas que alegravam os torcedores. Jogavam e deixavam jogar.

Futebol de hoje?

Mais condicionamento físico, mais força. Joga-se muito menos. É um futebol de mais faltas. Garotos no início de carreira são considerados craques. A mídia é muito forte.

Como mudar?
Formando jogadores que saibam trabalhar as jogadas, conduzir a bola, acertar os passes. Este último jogo do Brasil contra o Equador foi uma correria danada, quase não teve futebol.

Quem pode fazer isto hoje no futebol brasileiro?
Penso que, se estiver em boa forma física, o Ganso pode ser este armador de jogadas. Ele sabe cadenciar o jogo e armar bem as jogadas.
A Seleção Brasileira te decepcionou na Copa?
Muito. Esperava mais. Penso que o Felipão levou os melhores jogadores, mas eles não renderam o que esperávamos. Foi uma pena.

E o Felipão?
Também. O Brasil foi sempre um time apático, sem um esquema de jogo e que só dava chutões. O trabalho dele não apareceu na hora do jogo.

Qual a melhor Seleção Brasileira que você viu jogar?
Sem dúvida, a de 70. Do meio campo pra frente era perfeita. Gostei muito também da de 82, comandada pelo Telê Santana.

Qual o melhor jogador da atualidade?
Sem dúvida, o Messi é o mais completo.

O melhor jogador com quem você jogou?

Joguei com muitos jogadores bons, mas vou citar o Oldack Rossi como o craque. Ele era perfeito e jogaria hoje em qualquer time.

E que você viu jogar?

Vou citar só alguns que vi jogar aqui em Uberaba como Toinzinho, Tati, Canindé, Da Silva e Batatais. Eles jogavam mais que muitos craques de hoje.

E o melhor treinador que
você teve?

Tive também vários bons técnicos, mas o melhor foi o argentino Hector Roberto Gritta.

Qual foi um bom dirigente
do seu tempo?

Tive também bons dirigentes, mas vou destacar o Sarkis Messi Garzel. Ele tinha uma visão diferente e queria fazer do Nacional um grande clube, mas não deu certo e logo ele morreu.

Qual foi o seu jogo
inesquecível?

Sem dúvida foi aquela decisão por pênaltis com o Uberaba lá em Boulanger Pucci. Cobrar três penalidades seguidas e não errar nenhuma ficou para sempre na memória.

Você não teve medo de errar?

Não. Quando o capitão do Uberaba decidiu que as cobranças seriam no gol dos fundos, longe dos torcedores, pensei: eles estão nervosos, vou acertar minhas cobranças e deixar a pressão para eles. Não deu outra.

Por que você nunca saiu
do Nacional?

Cheguei a treinar na Ponte Preta, que queria comprar meu passe, mas na hora o Nacional não quis vender e eu não quis forçar. Teve outro clube do interior paulista que quis me levar e o Goiás também fez uma boa proposta e eu não fui. Preferi ficar por aqui mesmo.

 

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