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Uberaba, 16 de outubro de 2018 -

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Um dia mais, sempre será...

Não há como contestar que Um dia mais, sempre será um dia menos. Por sorte, passamos a vida sem muito nos preocuparmos com essa grande verdade. Todos sempre rogam Um dia mais no seu viver. Parece que também os seres inferiores percebem isso. Celso, meu irmão, tinha dois cachorros (kika e bareta). Esses dois lhes faziam alegria. A kika era um lindo animal. Seus pelos cinzentos, lhes exaltavam a beleza. Pelo jeito de como sempre entrava agachada por entre as plantações da chácara que tínhamos bem se podia perceber sua herança genética de caçadora. O bareta com os seus ruivos pelos, nada tinha de bonito e nada tinha de caçador como a kika, mas fazia coisas interessantes. Meu irmão as tardezinhas de todos os dias, passeava com aqueles cachorros. Sempre íamos à chácara. Ele levava o bareta ou a kika conosco. Algumas vezes, levava os dois. Numa dessas idas, o bareta pulou da camionete em movimento. Assim que o vimos estendido e inerte no asfalto, corremos para socorrê-lo. Parecia estar todo quebrado. Voltamos imediatamente. Fomos direto ao veterinário que nos afirmou haver realmente, várias fraturas e que naquele estado, por certo, não viveria por muito. Vi meu irmão chorar passando a mão de leve em seus pelos. Em casa, foi acomodado com grande carinho e com tudo ao seu lado; água e comida. Não sei como meu irmão ensinou aqueles dois cachorros a não latirem à noite. Ao lhe perguntar como conseguiu aquilo, dizia que eles eram obedientes. Uma semana se passou. Não comia, não bebia. Assim se definhava. Certa noite já bem tarde dela, Celso ouviu várias latidas; Logo percebeu que eram do bareta. Levantou-se e foi até onde ele estava. Sempre inerte, apenas movimentava discretamente os olhos. Assim que o Celso chegou, latiu como que afogadamente. Depois fechando os olhos, parece que dormia. No dia seguinte bem cedo, Celso foi vê-lo. Estava morto. Será que o bareta não sentiu ser aquele instante, o seu Dia menos? Ouvimos pela TV no programa Planeta Terra ou no Mundo animal, que os elefantes também parecem perceber o seu Dia menos. Com passos lentos como normalmente andam, quando assim se sentem, se dirigem para o local onde tantos outros elefantes perceberam o seu Dia menos, morrendo ali. Em razão da enorme quantidade ossos daqueles animais, os Naturalistas Pesquisadores, denominaram o recinto de: Cemitério dos elefantes. Na vida, todos repudiam esse Dia menos. Analisando-o, talvez seja bom para os doentes terminais sem mais recursos, sem mais esperança. Quando ao contrário, viver Um dia mais, sempre é melhor do que viver Um dia menos. Por que será que tememos a morte? Certamente não seja tão só dela e sim, de tudo que amamos e, voltarmos ao misterioso espaço donde viemos. 

(*) manoel_marta@hotmail.com

 

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