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Uberaba, 20 de abril de 2019 -

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Olga Maria Frange de Oliveira

São Domingos, Fortaleza de Fé

A Igreja São Domingos é parte do rico patrimônio histórico de Uberaba. Foi fundada em 1904, para abrigar a Ordem Dominicana, que surgiu no século XII e vem atravessando os séculos, alicerçada na sua vocação de abrigar em seu seio verdadeiros arautos do evangelho. 

Uberaba teve a glória de sediar a primeira Igreja Dominicana do Brasil. Não por acaso, teve como arquitetos-construtores dois “Josés”: José Cotani e José Rosatto, ambos de origem italiana.

Em estilo neogótico, eleva-se majestosamente no alto de uma colina, no bairro Estados Unidos. Suas paredes sólidas lembram uma fortaleza de fé. Verdadeiro poema de pedra tapiocanga e cimento, convida-nos à oração. Seu telhado foi construído com telhas francesas, importadas de Marseille, e o edifício encerra em suas formas características da arte gótica medieval.

Em 1966, frei Domingos Maia Leite, pároco de São Domingos, levando em conta as determinações do Concílio Vaticano II, resolveu fazer uma ampla reforma do espaço litúrgico da igreja. O templo seria totalmente remodelado, seguindo como modelo o estilo arquitetônico do gótico cisterciense, muito utilizado nas primeiras igrejas construídas no sul da França. Esse estilo é regido pelos seguintes princípios de austeridade: igrejas totalmente despojadas de ornamentação; o altar e a cruz como elemento central; utilização de materiais naturais brutos, como a pedra e a madeira; e somente dois candelabros de ferro devem ladear o altar.

Em dezembro de 1966 a reforma foi iniciada por uma empresa de arquitetura de São Paulo, sob a fiscalização de uma comissão de frades formada por frei Raymundo Cintra, frei Alberto Chambert e frei Romeu Dale. A igreja perdeu seus altares laterais e inúmeras imagens de santos, sendo mantidas apenas a de São Domingos de Gusmão (1170/1221), fundador da “Ordem dos Pregadores”, o tríptico de Nossa Senhora do Rosário e a Cruz com a imagem de Jesus. Houve a retirada do púlpito e das grades, remoção do altar-mor e do antigo coro de madeira e pedra unido ao presbitério. Apenas o altar de granito bruto foi mantido e, internamente, a igreja tornou-se monocromática, adotando o branco em toda a sua extensão.

Com exceção do coro, ao longo de quase dois anos de obras, tudo foi feito segundo o projeto inicial. Também foi encomendada uma tapeçaria à artista plástica Elizabeth Van Winkel, holandesa radicada em Uberaba. O tapete, inspirado no “Milagre da Multiplicação dos Pães”, foi colocado sobre o sacrário.

No dia 8 de dezembro de 1968 a igreja foi “provisoriamente” reinaugurada. O tempo passou, e a reforma não foi totalmente concluída. Ao longo dos anos, o edifício foi sendo novamente desfigurado em relação ao despojamento pretendido inicialmente.

Em 2018 a comunidade dos frades resolveu readaptar a igreja e trazer de volta sua simplicidade. O projeto arquitetônico de 1966 foi encontrado por frei Henrique Cristiano Bhering de Lacerda e um novo coro, que era a única parte do projeto que não tinha sido executada, foi finalmente construído, mesclando madeira e pedras, ao estilo conhecido por “cadeiral” (local do coro com cadeiras de espaldares alongados) utilizados nas igrejas góticas para abrigar os coros gregorianos.

Só agora, em 2019, a Igreja São Domingos teve seus espaços litúrgicos concluídos. Em sinal de júbilo pela conclusão das obras, fielmente executadas dentro da proposta da Ordem, reafirmando a opção pela simplicidade, a inauguração do novo coro está marcada para o dia 28 de abril, uma semana após a Páscoa, domingo, às 19h.  Na oportunidade, será realizada uma majestosa “Missa Solene”, inteiramente cantada pelo “Coral Artístico Uberabense”, sob a regência da maestrina Olga Maria Frange de Oliveira. O CAU será acompanhado pela organista Daiana Soraia Santos e contará com a participação dos solistas Henrique Nominato e Cleide de Souza Fernandes. Também haverá participação do grupo “Vozes Gregorianas”, sob a coordenação do Sr. João Ribeiro da Silva.

O templo de São Domingos, com suas torres esguias acentuando o sentido da verticalidade e apontando para o alto, representa, em sua solidez, a fé inabalável da brava gente uberabense. 

(*) pianista, professora, maestrina, regente do Coral Artístico Uberabense, pesquisadora da História da Música em Uberaba, ex-Diretora Geral da Fundação Cultural de Uberaba

 

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