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Uberaba, 21 de julho de 2019 -

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Anna Paula May

Educação ampla e para todos

Considerável parcela da nova geração de estudantes diverge em muitos pontos daquela dos tempos dos nossos pais, principalmente quando o assunto é ser aprovado em um concurso e adentrar o Ensino Superior. Antigamente, ao terminar o Ensino Médio, muitos jovens já ingressavam no mercado de trabalho para contribuir com a economia familiar. Hoje, esta nova geração de estudantes visa mais que tudo um Ensino Superior de qualidade; o anseio juvenil por uma especialização profissional está claramente evidenciado na atual geração. Contudo e proporcionalmente, as universidades continuam disponibilizando quase a mesma quantidade de vagas de décadas passadas em seus cursos e a demanda atual de jovens por vaga vem, naturalmente, aumentando a cada ano. Para tornar ainda mais difícil o acesso dos mais humildes a cursos universitários, as notas de corte nos vestibulares estão cada vez mais altas, enquanto a concorrência torna-se cada vez maior. O processo seletivo para o ingresso em universidades está, portanto, cada vez mais desafiador; provas exigem dos candidatos o máximo aproveitamento dos conteúdos escolares e, dessa forma, a cada ano as questões e os assuntos a serem abordados em provas se tornam cada vez mais conteudistas e específicos. Porém, não é novidade pra ninguém que o sistema de ensino público brasileiro está quase em estado falimentar; tem passado por dificuldades de gestão e, principalmente, aquelas relativas a verbas oficiais para o seu custeio. Greves estão se tornando cada vez mais frequentes nas escolas e isso faz com que os alunos de rede pública sejam cada vez mais prejudicados com a falta de professores e uma consequente diminuição dos dias letivos. Com tantas paralisações e considerando-se a natural falta de vontade de alguns professores que, nessas circunstâncias, se sentem desanimados de ministrar aulas, o rendimento e o domínio de conteúdos em escolas públicas ficam cada vez mais decadentes; os alunos que buscam um Ensino Superior não veem outra saída, senão optar por cursinhos e aulas extras em redes particulares de ensino, quando podem e unicamente em decorrência dos valores cobrados pela grande maioria dos colégios. Enquanto os alunos da rede pública ficam sem aula, com professores totalmente desmotivados para lecionarem e com uma gestão governamental nesse setor que deixa a desejar, os alunos da rede particular continuam saindo na frente na disputa por um lugar ao sol, enquanto gozam do privilégio de seus professores não entrarem em greve, pois recebem seus salários sem atraso e sem cortes, o que resulta em uma aprendizagem mais profunda, com recursos tecnológicos que facilitam a obtenção de conhecimento e muito mais. É quase utópico, no nosso cenário atual e nas condições que a educação estadual se encontra, que alunos da rede pública consigam ingressar nas faculdades somente com seus conhecimentos e estudos adquiridos dentro de sala. O cenário atual exige mais preparação e mais conhecimento do que nunca e aqueles que conseguem entrar em uma faculdade Federal são os que tiveram a chance de deleitar dos privilégios do ensino em escolas particulares. Em virtude da crise econômica atual do país e do baixo investimento na educação pública de qualidade, apenas as classes média e alta continuam tendo a primazia de ocupar as cadeiras universitárias; resta aos mais carentes de recursos financeiros apenas uma opção: dedicar-se de maneira quase integral aos estudos para tentar entrar em alguma faculdade, tentativa essa que pode durar anos, ou, do contrário, não optar pelo Ensino Superior e adentrar no mercado de trabalho sem maiores qualificações, o que acaba contribuindo para um agravamento do contexto social brasileiro. Essa situação reflete apenas os interesses de nossos atuais governantes: que os pobres continuem pobres e sem conhecimento enquanto os mais favorecidos economicamente monopolizam o mercado de Ensino Superior e se mantenham isolados no ápice da pirâmide social. Até quando? 

(*) Estudante secundarista

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