JM Online

Jornal da Manhã 46 anos

Uberaba, 22 de julho de 2019 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

Articulistas

Outros Articulistas

Fernando Vieira Filho

Antidepressivo não causa dependência

O que ocorre com o antidepressivo é a tolerância orgânica, que o leigo sempre confunde com "dependência". O que acontece com o passar do tempo é que a tolerância fisiológica ao medicamento antidepressivo, que consiste na necessidade de uma maior dose para se obter o mesmo efeito, se instala na pessoa. 

Por isso, o médico, sempre ao concluir o tratamento da depressão, solicita ao paciente um longo processo de desmame ou dessensibilização química. Mas que, infelizmente, a grande maioria dos pacientes NÃO respeita esta prescrição médica. Interrompe a medicação de uma só vez (de repente) e, após um curto ou médio espaço de tempo, os sintomas da depressão retornam como um verdadeiro "tsunami", é o chamado efeito rebote ou depressão de rebote. Que é uma depressão ainda mais grave que aquela que havia antes do tratamento.

Novamente o tratamento é iniciado com mais rigor na medicação. Aí, o paciente JULGA erroneamente que ficou dependente do antidepressivo. Mas se esquece que foi impaciente e teimoso, arrogante mesmo, em querer "saber mais que o médico" que estudou anos a fio para isso.

Os antidepressivos atuais são medicamentos extremamente úteis e seguros na terapêutica da depressão e outros transtornos (ansiedade, TOC, pânico, anorexia, etc.). Não se preocupe quanto à dependência. O que causa dependência química de verdade são os “faixas pretas”, como as anfetaminas, os ansiolíticos e sedativos (calmantes) da “família” dos benzodiazepínicos, como o clonazepam (Rivotril), etc.

O importante é que a indicação de uso do antidepressivo tenha vindo de um médico, preferencialmente um psiquiatra. Como dizia um velho professor, o antidepressivo é uma “bengala abençoada”. Tomar um remédio cronicamente não significa ser dependente. Lembrando que todo medicamento antidepressivo é sintomático, isto é, ameniza os sintomas, coloca em ordem a “casa interna”, para que a pessoa tenha condições de buscar e tratar as causas que a levaram a fazer a doença, através da psicoterapia. 

(*) Psicoterapeuta clínico, palestrante e escritor
Contato: 
ffvfilho@terra.com.br

 

DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia