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Uberaba, 13 de dezembro de 2018 -

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SAÚDE

Milhões de brasileiros sofrem “fobia social”

Segundo alguns estudos recentes, a “fobia social” atinge cerca de 5% a 13,3% da população no geral

Segundo alguns estudos recentes, a “fobia social” atinge cerca de 5% a 13,3% da população no geral, ou seja, entre 8 milhões e 22 milhões de brasileiros enfrentam, atualmente, o problema. Hoje, durante a 5ª Jornada de Psiquiatria, promovida pela Liga de Psiquiatria da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Uberaba recebe do Prof. Dr. José Alexandre de Souza Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), que falará sobre a doença.
O médico adiantou, em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, algumas curiosidades sobre o transtorno, que será tema da conferência, às 10h30. De acordo com Crippa, a Fobia Social (FS) ou Transtorno de Ansiedade Social (TAS) é um transtorno de ansiedade em que o sujeito se sente incomodado e/ou com medo em situações nas quais está próximo de outras pessoas, interagindo ou sendo observado por elas. “Estas pessoas geralmente procuram evitar as mais diversas situações sociais, o que acaba prejudicando o desempenho e a realização em várias áreas da vida, causando importante sofrimento”, explica o psiquiatra.
 
O especialista informa que a doença pode levar o indivíduo a evitar interação social, o que pode conduzir ao isolamento, a limitações típicas e a prejuízo em vários aspectos da vida diária, como, por exemplo, baixo desempenho escolar e no trabalho, além de dificuldades nos relacionamentos amorosos. Com isso, é comum que as pessoas portadoras do transtorno desenvolvam outras doenças associadas, como depressão, abuso de substâncias (álcool e drogas) e ideias de suicídio. Atualmente, estima-se que isso ocorra em aproximadamente 70% dos casos de TAS.
De acordo com o professor, é comum as pessoas confundirem o TAS com traço de personalidade, temperamento ou timidez. Mas como diferenciar a ansiedade normal da doença?
 
O médico esclarece que a ansiedade normal pode ser caracterizada como um “medo” ou preocupação que todas as pessoas experimentam. “Isso nos leva a manter um comportamento de cautela diante dos acontecimentos do dia a dia, não interferindo e não prejudicando nosso desempenho. Pelo contrário, a ansiedade que experimentamos diante de uma entrevista de trabalho, de uma prova escolar, ou até mesmo quando vamos conhecer uma nova pessoa, prepara-nos para enfrentar essas situações da melhor forma possível”, afirma Crippa, acrescentando que a ansiedade de uma pessoa tímida não é grande a ponto de incapacitá-la de enfrentar essas situações.
Já nas pessoas com fobia social, a ansiedade e o medo são tão intensos que podem chegar a “paralisá-las”, trazendo prejuízos ao seu desempenho e bem-estar. Isso torna essas pessoas mais vulneráveis e inseguras diante das situações sociais cotidianas.
 
“As pessoas com TAS temem e evitam uma grande variedade de situações sociais. Entre elas falar em público; conversar com autoridades (professores, chefes); conversar com uma pessoa do sexo oposto; ser o centro das atenções; comer e/ou beber em público; falar ao telefone; usar banheiros públicos”, exemplifica o psiquiatra.
Diante dessas situações, alguns portadores da doença chegam a manifestar sintomas físicos intensos, como tontura, tremor, taquicardia e sudorese. O TAS pode ser generalizado, quando a pessoa tem medo de várias situações, ou específico, em que o temor está relacionado apenas a uma situação, como falar em público.
 
Cura. De acordo com o especialista, a medicina ainda desconhece as causas reais da fobia social. “Como para a maioria dos transtornos mentais, acredita-se que o TAS surja da interação de causas biológicas, ambientais e hereditárias”, destaca.
A boa notícia para quem se identificou com as características do transtorno é que, com o tratamento adequado, as pessoas podem se curar. O tratamento consiste em medicamentos, psicoterapia ou na combinação de ambos. No caso dos remédios, segundo Crippa, os mais utilizados, atualmente, são os antidepressivos, com efeitos positivos entre duas a quatro semanas nos pacientes.
Já quanto à psicoterapia, a modalidade mais estudada e com resultados comprovados no tratamento TAS é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que pode ser individual ou em grupo. “Nela os pacientes são envolvidos em um processo ativo com o terapeuta, que visa a melhorar a qualidade de vida através do uso isolado ou conjunto de várias técnicas”, explica o psiquiatra.

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