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Uberaba, 14 de agosto de 2018 -

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POLÍTICA

“Escolher Uberaba para morar foi a decisão mais acertada”, diz Aelton

Ele fala de recursos a serem destinados a Uberaba e região para investimento em segurança, saúde e infraestrutura

Por Thassiana Macedo. Última atualização: 15/07/2018 - 09:12:02.

Foto/Jairo Chagas


Deputado Aelton Freitas foi o relator do projeto de transformação da Faculdade de Medicina em universidade federal e conseguiu agilizar o processo

Natural de Iturama, Pontal do Triângulo, hoje presidente do Partido da República (PR) em Uberaba, Aelton José de Freitas é deputado federal em seu terceiro mandato. Sua primeira empreitada na política foi ser prefeito de sua cidade natal, em 1992, com 31 anos. Ligado à política estadual e nacional, foi escolhido suplente do senador José Alencar, quando ele se tornou vice-presidente da República, em 2002. Desde então mora em Uberaba, onde vive com a esposa, Luciana Correia Queiroz de Freitas, e os filhos Amanda e Pedro. No Senado, Aelton Freitas ficou até 2006, período em que teve papel decisivo na transformação da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro (FMTM) em Universidade Federal (UFTM). Na edição deste domingo, o Jornal da Manhã publica entrevista com Aelton Freitas, que fala de recursos a serem destinados a Uberaba e região para investimento em segurança, saúde e infraestrutura, bem como o retorno de duas companhias aéreas para cidade, com voos diários para São Paulo e Belo Horizonte. 

Jornal da Manhã – Nas eleições de 2016, tivemos níveis considerados bem altos de abstenções e de eleitores que votaram nulo ou branco em todo o país. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o percentual ultrapassou os 32%. Como motivar os eleitores, especialmente para o pleito deste ano, cujo cenário é de incerteza?
Aelton Freitas –
2018 é o ano em que o eleitor está tendo a maior decepção por tantos fatos desagradáveis que aconteceram e ainda estão acontecendo, especialmente na política. Percebemos que a corrupção está presente em todos os segmentos, mas na política é onde mais se destaca. Se o voto não fosse obrigatório, só seriam eleitos os políticos corruptos, aqueles que compram o voto do eleitor, tão corrupto quanto. Ou seja, só ia votar quem ganhasse algo. Com o voto sendo obrigatório, o eleitor ainda comparecerá às urnas, ainda que em menor número. Cada Estado tem suas cadeiras na Assembleia Legislativa, no caso de Minas são 77. Se o eleitor vota nulo, branco ou se abstém, de toda maneira alguém vai ocupar essas cadeiras, e se deixarmos de exercer a democracia não votando, outra pessoa vai votar em alguém pior. O caminho é votar em alguém, escolhendo quem possa te representar, porque depois não há para quem reclamar e não terá quem trabalhe por seu Estado, município ou você. Temos o direito de exercer a cidadania, e o melhor instrumento para mudar o que está ruim e manter o que está bom é o voto. 

JM – O senhor acredita que o equilíbrio econômico poderá vir com o resultado das eleições ou ainda demanda de alguma grande reviravolta no planejamento do país?
Aelton Freitas –
A eleição trará as propostas e projetos de melhoria na economia. Economistas estão sentindo que, após a eleição, o Brasil retomará o crescimento, mas ele será lento em 2019. Vamos começar a experimentar o crescimento mesmo a partir de 2020. Em 2019, se a economia privada começar a melhorar, só haverá reflexo disso nos cofres públicos dois anos depois, porque o Valor Adicionado Fiscal (VAF) vem em forma de FPM (Fundo de Participação dos Municípios) ou FPE (Fundo de Participação dos Estados) 24 meses depois. Então, vejo o ano de 2019 como muito difícil, porque vamos usar o que o Brasil produziu em 2017.  

JM – Como deputado federal, o senhor tem muitas cidades para olhar, mas Uberaba tem recebido atenção especial. Quais são os projetos e obras mais importantes?
Aelton Freitas –
Já tive que tomar muitas decisões na vida, mas a mais acertada foi ter escolhido Uberaba para morar. Desde então tivemos muitas oportunidades de fazer muito por essa cidade promissora, mas que precisava muito, principalmente, na área de infraestrutura. Sou engenheiro agrônomo e quando vim para Uberaba, em janeiro de 2003, quem passava pelas rodovias que cortam a cidade, tanto a BR-262 quanto a BR-050, a achava horrorosa. Não tinha um trevo de entrada, um acesso, e quem estava na rodovia não via a cidade entre sete colinas. Felizmente, o partido em que estou até hoje, o PR, sempre foi detentor do Ministério dos Transportes. Nos meus dois primeiros mandatos tive a sorte de ter como ministro um filho de Uberaba, o Anderson Adauto. Dessa maneira, conseguimos fazer vários trevos de acesso à cidade, como no Distrito Industrial 2, Beija-Flor, Filomena Cartafina, na interseção das duas rodovias, onde a BR-050 vai para São Paulo e a BR-262 vai para Belo Horizonte, e no Residencial 2000. O único trevo que estava praticamente pronto era o do Volta Grande para Conceição das Alagoas, o do Jockey Park estava inacabado. Ou seja, todos os trevos da cidade, as duplicações nas BRs 262 e 050, antes da privatização, bem como o trevo de Delta, para ir até Conquista, conhecido como Ma Shou Tao, que ficou paralisado por nove anos no Tribunal de Contas, fomos nós que fizemos. Outro projeto de minha autoria foi denominar o aeroporto de Uberaba de “Mário Franco”. Fora essa área de infraestrutura, no ano de 2005, peguei a relatoria da transformação da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro (FMTM) em Universidade Federal (UFTM). O que talvez levaria uma década para acontecer, eu consegui fazer em apenas três dias, durante meu mandato como senador, passando de três para 28 cursos oferecidos. 

JM – Sobre a outorga do aeroporto de cargas, que teve a participação efetiva do senhor, o que deve ser feito agora para viabilizar o projeto?
Aelton Freitas –
Só a conomia começar a caminhar. Acabando a Copa, teremos eleição e daqui três meses tudo passou, mas ainda ficarão a ressaca e uma paralisação de três a quatro meses em função da arrecadação dessa época, mas acredito que junho ou julho de 2019, quando começarmos a ver as perspectivas de melhora da economia, investidores internacionais vão vir, ver e comprar essa ideia. Não tem um projeto mais arrojado do que esse, hoje, na América Latina, pois temos a ferrovia VLi. Agora vamos buscar duas ligações dela com a ferrovia Norte-Sul e, a partir dessa, outra ferrovia aqui de Uberaba, Conceição das Alagoas, Frutal até Iturama, e uma de Uberlândia, Ituiutaba até Santa Vitória. Ligando essas ferrovias, tudo que for produzido em qualquer parte do país pode vir até de trem, pegar o avião aqui, e tudo que for produzido na região pode pegar o trem e ir para todo o país ou para qualquer parte do mundo. Hoje só temos cinco iguais a este no país, mas o principal e maior aeroporto de cargas do país será o de Uberaba. 

JM – Há vários anos o aeroporto de Uberaba amarga a intermitência e perda de voos, o que prejudica muito o desenvolvimento da cidade. Já o aeroporto de Uberlândia receberá R$50 milhões para obras de reforma e ampliação do terminal de passageiros. O que poderia ser feito para também expandir a malha aérea de Uberaba?
Aelton Freitas –
Campinas sufocou várias cidades menores, que deixaram de ter aeroportos de grande porte. Ribeirão Preto sufocou Franca, e Uberaba está sofrendo a mesma coisa em relação a Uberlândia, que também é o caso de Araguari, Patos de Minas e outras. Isso me preocupa. Há 20 anos era o contrário. Toda vez que vou embarcar em Uberlândia conto que a cada 10 pessoas na fila, três são de Uberaba e duas são das cidades da região. Por isso, estamos tentando resgatar voos para Uberaba, começando pela Gol, que topou fazer a parceria conosco a partir do fim de julho. Se conscientizarmos as cidades da região, teremos condição de viabilizar o aeroporto de Uberaba, alternando-o com o de Uberlândia. Falo sempre para o pessoal da Latam, Gol e Azul que se há três voos diários Brasília, Uberlândia e São Paulo, deixa dois assim e faz um Brasília, Uberaba e São Paulo. Agora tem uma empresa pequena, a antiga Total, que ficou só com cargas e está voltando a transportar passageiros, e está desenvolvendo um tipo de voo regional com aviões menores e econômicos para Uberaba, que não vai ter para Uberlândia. Uberaba terá a prerrogativa de embarcar e desembarcar no aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e Congonhas, em São Paulo. O primeiro voo da Gol que vem para Uberaba será Guarulhos/São Paulo, mas vai custar R$253. Outro dia ouvi na Rádio JM sobre a questão da saída do Corpo de Bombeiros do aeroporto de Uberaba, e isso me preocupou muito, já que essa é uma das exigências que a Gol faz. Embora cidades que tenham até 200 mil habitantes não precisem desse serviço, esse é um fator que me preocupa muito, e quero ver essa situação com o prefeito e vou conversar com a Gol, pois se precisar manter os bombeiros para não perdermos a Gol e outras empresas que poderão vir para cá, por mais alto que seja esse custo, nós vamos correr atrás disso. 

JM – Com relação à segurança pública, que é um problema antigo de Uberaba, sabemos que a responsabilidade é do Estado, mas, em nível federal, o que pode ser feito para evitar essa onda de crimes que temos visto na cidade, especialmente as ações violentas, como foi o assalto à Rodoban e os ataques incendiários?
Aelton Freitas –
Dificilmente resgataremos essa geração que está no crime hoje, temos que trabalhar para não deixar as próximas irem por esse caminho, e creio que a principal saída é investir na educação e na capacitação das pessoas para que tenham emprego. Para reverter o que tem acabado com nosso país e no Triângulo Mineiro, que é uma região de narcotráfico, é preciso cercar as fronteiras, de maneira mais radical, para impedir a entrada de drogas que vêm principalmente do Paraguai e da Bolívia. Em Ituiutaba, recentemente, prenderam 26 traficantes, imagina quantos têm em Uberaba? – onde o PCC já está implantado. Temos que ter ações curativas, o que não é fácil, mas precisamos buscar as preventivas. Este ano dividi com outros deputados da bancada mineira uma emenda que resultou na entrega de sete viaturas policiais para municípios do interior. O roubo na Rodoban nos despertou, fui ao ministro da Justiça, Torquato Jardim, e consegui um recurso. Estava prevista a construção de 11 penitenciárias em 2018, mas apenas quatro realmente estão em obra e, como estava sobrando recurso de sete, sensibilizamos o ministro para investir R$15 milhões no Triângulo Mineiro para informatização e automação do sistema de comunicação da polícia para a transição do analógico para o digital, bem como para colocação de câmeras inteligentes nas pistas de rolamento. Trata-se de um leitor de Reconhecimento Óptico de Caracteres. Através de um celular, ou tablet, é possível a polícia identificar todos os veículos roubados que passem por vias públicas monitoradas. O leitor emite um alerta da situação e a localização. Criamos um dispositivo para que um percentual das loterias e da Mega-Sena seja reservado para esse fim. Desse valor, R$5 milhões serão investidos em Uberaba nos próximos meses, outros R$10 milhões para o Triângulo e mais R$35 milhões, em 2019, no restante do Estado. Estamos pedindo uma audiência com o ministro da Segurança, Raul Jungmann, para essa semana a fim de saber quando os primeiros recursos serão liberados. 

JM – Considerando seu prestígio no Ministério dos Transportes, o que é possível fazer para liberar projetos destinados a melhorar a ligação rodoviária asfáltica de Uberaba com outras regiões?
Aelton Freitas –
Estamos fazendo isso, mas o que sentimos muito é que as duas principais artérias de Uberaba foram privatizadas. A BR-050 com a MGO, uma das concessionárias que mais deram certo no país, e a BR-262 com a Triunfo, que infelizmente não vingou. A que deu errado está cobrando pedágio constantemente sem fazer a duplicação. Aliás, ela começou a duplicação pelo trecho errado, que é de Uberaba a Campo Florido, por ser mais barato, mas que deveria ter sido iniciado pelo trecho Uberaba a Araxá, que tem muito mais movimento. Procurei a Triunfo bem no começo e falei que eles iriam colocar o pedágio no lugar errado. Ele deveria ter sido feito perto da BR-153, pois as carretas que vêm de Goiânia aprenderam um desvio passando pela Usina Coruripe, Pirajuba e Planura, e vão embora para Barretos. Lá passam de duas a três mil carretas por dia, que não pagam um centavo de pedágio, e de Campo Florido para cá, só pega o coitado do trabalhador que vem resolver questões de saúde, INSS, banco ou estudar, e o pedágio não se paga. Como a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) também é do nosso partido, já fiz essa crítica construtiva, eles ficaram de ver um novo pedágio para desativar este no lugar errado. A Triunfo deve devolver essa concessão à ANTT e uma nova licitação será feita, e ficará a cargo da Justiça ver como ficam as pessoas que estão pagando pedágio sem usufruir das melhorias. Em relação ao Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), em 2002, o governo do Estado editou uma MP passando seis mil quilômetros de rodovias federais para o governo de Minas para pagar o 13º salário atrasado dos servidores. Ao me tornar senador, procurei o vice-presidente José Alencar e prorrogamos por 15 anos essa estadualização das rodovias. Em 2016, não teve como prorrogar mais e 2.980 quilômetros foram para o Estado, mas 3.020km seguramos como federal e creio que até o fim do ano conseguiremos reverter o que foi estadualizado. Federalizando essas rodovias, pelo menos a União tem receita suficiente para a manutenção.  

JM – O Estado de Minas não tem colaborado financeiramente com o Hospital Regional, em virtude da situação financeira precária, e os recursos enviados por municípios da região são insuficientes para manter o atendimento. Com isso, o hospital vai depender do governo federal para se manter. O que pode ser feito em termos de emendas para garantir a continuidade dos serviços do Hospital Regional?
Aelton Freitas –
Trabalhamos com emendas de bancadas e, independentemente de o deputado Marcos Montes se tornar vice-governador e da eleição do deputado Adelmo e outros, a bancada mineira vai se reunir até outubro para aprovar emendas para a educação, social e infraestrutura, por exemplo. O que temos priorizado são as emendas para saúde, e até outubro vamos definir uma emenda de determinado valor para atender aos cinco hospitais regionais que foram criados no interior nos últimos tempos.

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