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ESPAÇO CULTURAL

Cadernos da Academia de Letras

Fundada em novembro de 1962, já em 1964 lança a série Cadernos da Academia

Última atualização: 25/10/2009 - 07:46:50.

 Cadernos da Academia de Letras Do Triângulo Mineiro

Guido Bilharinho
 
A Academia de Letras foi fundada em novembro de 1962. Já em 1964 lança a série Cadernos da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, editada periodicamente sob a responsabilidade da diretoria da instituição, com formato variando entre 20,6 x 15,2 cm (nº 2) a 23,3 x 16 cm (nº 9) e também variável número de páginas, desde dezesseis (nº 10) a sessenta (nº 6).
Ao contrário dos periódicos usuais, que publicam inúmeros trabalhos de diversificados gêneros, a série em questão apenas contemplava um assunto e autor por vez, seja de história regional, de crítica literária ou textos poéticos e discursos.
Essa coleção dominou as atividades editoriais da Academia na década de 1960 e, coincidentemente, suspendeu sua publicação ao atingir o nº 13, em novembro de 1971, quando a entidade, além dos importantes livros de história regional que já vinha editando desde 1970, encetou a publicação de sua revista.
Os treze cadernos lançados de janeiro de 1964 a novembro de 1971 e seus respectivos autores foram:
1 – O Visconde de Taunay e o Triângulo Mineiro de 1865 – José Mendonça
2 – Dom Casmurro e o Pessimismo de Machado de Assis – Edson Prata
3 – João da Cruz e Sousa – Brasil, Poema – Leonard Smeele
4 – Machado de Assis e o Direito do Trabalho – Edson Prata
5 – Trovas - Raimundo Rodrigues Alburquerque
6 – Estudos de Literatura do Triângulo Mineiro – Edson Prata
7 – A Cigarra – Um Mínimo de Ciência, Estória e Arte Literária – Eurico Silva
8 – Dois Discursos – padre Tomás Prata
9 – Um Sorriso no Abismo – Marçal Costa
10 – História Topográfica da Freguesia do Uberaba, vulgo Farinha Podre – vigário Silva
11 – A Alma do Povo na Poesia Brasileira – Lúcio Mendonça de Azevedo
12 – Os Que Não Morrem e o Que Deve Morrer – João Cunha
13 – Elogio de Clementino Fraga – José Soares Bilharinho.
Três deles, conforme seus títulos atestam, abordam assuntos regionais.
O ensaio de José Mendonça sobre O Visconde de Taunay e o Triângulo Mineiro de 1865 defende Henrique Raimundo des Genettes, médico francês, fundador da imprensa no Triângulo, ex-vereador e ex-agente executivo (prefeito) do município, das críticas que lhe fez o visconde em alguns de seus livros, ao relatar sua estada em Uberaba, em 1865, como oficial do Exército Brasileiro integrante das forças que aqui estiveram acantonadas para invadir o norte do Paraguai, o que foi efetuado, resultando na retirada da Laguna, por sinal, com esse título, A Retirada da Laguna, um dos dois mais célebres livros do visconde de Taunay, sendo, o outro, o romance Inocência, cuja estória, verídica, ocorreu na região.
Nos Estudos de Literatura do Triângulo Mineiro, de Edson Prata, são publicados artigos que o Autor escreveu sobre nada menos de treze livros editados no Triângulo na ocasião, desde romances a livros de poesia e ensaios políticos, como os romances Vila do Confins e Chapadão do Bugre, de Mário Palmério; os ensaios Promoção Agrária, Temas de Atualidade e O Marxismo, todos os três de autoria de monsenhor Juvenal Arduini; o romance Riachão, de Raimundo Rodrigues Alburquerque; além de livros de crônicas de Marçal Costa e de poesia de Édison Deroma e Licídio Pais, bem como o referido ensaio de José Mendonça, artigos de frei Francisco Maria de Uberaba e ensaios de Valdir Vieira e João Henrique Sampaio Vieira da Silva.
Já a História Topográfica, do vigário Silva, constitui a primeira obra histórica escrita sobre a Uberaba, elaborada por volta de 1824 a 1826, quando ainda vivo, e amigo do Autor, o major Eustáquio, fundador da cidade. Constitui ensaio notável, no qual, após breve introdução histórica, o Autor discorre sobre mineralogia, zoologia, fitologia, rios, portos e serras do município.
Essa Coleção, hoje uma preciosidade, pelos assuntos focalizados e perspectivas e modos de sua abordagem, além de seu valor cultural, documenta o perfil da intelectualidade uberabense da época, suas preferências e preocupações literárias. Se diz intelectualidade uberabense, porque, embora domiciliados na ocasião em Uberlândia, Marçal Costa era uberabense e Eurico Silva aqui residiu por muitos anos, redatoriando e dirigindo jornais.

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