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Manoel Therezo - 09/06/2012

Que a maneira de dizê-las (Didática = linguagem simples)

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A compreensão de tudo o que se escreve ou se explica há de estar ligada a um expediente da clareza conhecido por Didática, que é a linguagem simples. Quando não alertado da importância desse expediente, mesmo burilando genialmente aquilo que se escreve ou se explica, pode-se não alcançar o fim proposto. Conhecemos professores titulares na disciplina, porém, em razão de uma linguagem rebuscada de termos nada comuns, são por alguns alunos tidos sem clareza, e para outros, péssimos. Também alguns escritores, pelas mesmas razões. Lemos nesta semana, com firme propósito, a grande obra de Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha. Falemos curvados de pleno respeito que merece o escritor, tido no consenso da crítica como o mais notável escritor brasileiro e de sua obra “Os Sertões, considerada também como o mais notável livro nacional em todos os tempos. Em alguns momentos, “Os Sertões” é uma leitura inegavelmente cansativa, exigente de persistência e fôlego. Noutros, de fato, uma beleza extasiante no palco das letras. Um estilo monumental de quem sabe ver, sentir e escrever. Um poema em prosa invejável, que todos os amantes de leituras e escribas não podem desconhecê-lo. Na página famosa de O Sertanejo, os contrastes: forte-fraco, Hércules-Quasímodo, inércia-ímpeto, descrevem a transformação do homem, quando alguma força maior lhe sacode os músculos, fazendo saltar de dentro dele o personagem até então encolhido numa carcaça indolente, como se lê na maravilha deste trecho: “O  sertanejo é antes de tudo um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempenho, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação dos membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente acurvada, num manifestar de displicência que lhe dá um carácter de humilde deprimente. Entretanto, toda essa aparência de cansaço ilude. Nada é mais surpreendedor que vê-la desaparecer de improviso. O homem se transfigura. Nada há como contê-lo, no ímpeto. Que lhe antolhem quebradas, acervos de pedras, coivaras, matas de espinhos ou barrancas de ribeirões, nada lhe impede de encalçar o garrote desgarrado, porque, por onde passa o boi, passa o cavaleiro com o seu cavalo.” Qual imagem mais expressiva, completa e bela? “Por onde passa o boi, passa o cavaleiro com o seu cavalo.” Como a obra poderia estar toda assim na maneira de dizer — mas, logo à frente, o autor se esquece da Didática, perdendo-se nos termos regionais que não deixam de perturbar de certo modo a clareza de seus expostos, tais como: Solstícios, especa, cacimbas, arregoa, sezão, exsicados, marcescentes, esturrada, empertiga-se, estadeando, achamboado, tabaréu e tantos outros, exigindo o dicionário a todos os instantes. Que pena... Que pena... Todos os que escrevem ou explicam deveriam ter sempre em mente o pensamento de Gaetan Picon: “As coisas devem ter sempre menos importância que a maneira de dizê-las.”          

O “Sertanejo” (Trechos alternados e reduzidos)

 

(*) Odontólogo; ex-professor universitário






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