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Opinião

Qual a sua opinião sobre isso ou aquilo, um fato, um acontecimento, uma música, um filme, uma pessoa?

14/07/2019 - 00:00:00. - Por Márcia Moreno Campos

Qual a sua opinião sobre isso ou aquilo, um fato, um acontecimento, uma música, um filme, uma pessoa? Essa pergunta se repete inúmeras vezes no decorrer de nossas vidas e sem que consigamos entender por que pensamos de um jeito, e não de outro, opinamos. Seja por experiência própria, informação adquirida ou influência de outros, temos sempre, ou quase sempre, uma opinião formada. Tentando entender, reproduzo aqui um texto do livro “A vida secreta da mente”, de Mariano Sigman. Escreveu ele: “Nós adultos temos vícios não equânimes quando julgamos os outros. Não só levamos em conta a história prévia e o contexto das ações (o que é correto), como também opinamos de modo muito diferente quando quem comete as ações, ou quem for o alvo delas, se parece conosco ou não (o que é ruim). Em todas as culturas, as pessoas tendem a formar mais amizades e a ter mais empatia com aqueles que se assemelham a elas e, por outro lado, mostram indiferença ao sofrimento dos que são diferentes. As semelhanças que geram essas predisposições podem ser por aparência física, mas também por questões religiosas, culturais, étnicas, políticas ou esportivas. O indivíduo faz parte de um consórcio, de um clube, uma pátria, um continente. Sofre e desfruta coletivamente com esse consórcio. O prazer e a dor são sincrônicos entre milhares de pessoas cuja única semelhança é o pertencimento tribal que as amalgama no sentimento. Porém, existe algo além disso. O prazer pelo sofrimento de outras tribos.” 

E é isso que tem me preocupado muito: o grau de intolerância entre tribos de pensamentos diferentes. As mídias sociais e em particular os grupos de WhatsApp deram voz ao radicalismo, ao pensamento único e ditatorial, liberando opiniões antes contidas e que agora, ao serem expostas, denotam um alto poder de atingimento, discriminação e ódio aos que não pensam tal e qual. Disseminou-se uma fobia de ser contrariado, a alodoxafobia. Só o que importa é o apoio e o aplauso do grupo. Quanto mais radical, mais aceito pelos pares. 

A continuar assim, perderemos a grandeza do debate de ideias, o direito de mudar de opinião, a flexibilidade tão presente nos moderados. Saber ouvir, discutir temas e propostas independentemente de quem os defende é fundamental para a evolução humana. Estamos encolhendo nossa capacidade de pensar. Opinar está difícil, como também está difícil conviver.

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