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Uberaba, 20 de julho de 2019 -

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Amor e misericórdia

São duas palavras desafiantes dentro do clima de violência da cultura moderna

13/07/2019 - 00:00:00. - Por Dom Paulo Mendes Peixoto

São duas palavras desafiantes dentro do clima de violência da cultura moderna. O Papa Francisco tem, insistentemente, sugerido a prática concreta do amor e da misericórdia. Sabemos que não é fácil amar e perdoar de verdade. Como amar e perdoar aqueles que maquinam, atacam e criam pavor e vítimas numa comunidade, como tem acontecido em diversas cidades no território brasileiro! 

Só tem real expertise para amar e ser misericordioso com o próximo, dentro dos princípios do Evangelho, quem ama a Deus. Não é suficiente apenas a vontade humana se ela está desconectada com a vontade divina, concretizada na Pessoa de Jesus Cristo. É atitude de sabedoria, mas própria para quem consegue superar os critérios do individualismo e de mente fechada para os ensinamentos de Deus.

Temos uma seara de infidelidades ao projeto próprio de vida. Basta ver que muita gente tem perdido o bom senso e agido com critérios desumanos, usando de violência contra o outro e a sociedade, trazendo como consequência o sofrimento alheio. Nem os animais, exceto os predadores por natureza, agem para provocar o mal, a desarmonia e a destruição, principalmente do bem público.

O amor e a misericórdia são fortes possibilidades de afetos e anseios gravados pelo Criador no íntimo do coração das pessoas. É como a lei de uma nação, porque ela é promulgada para harmonizar os conflitos e apaziguar as tensões, possibilitando a convivência entre as pessoas. Mas tudo isso perde seu significado e sua força quando o indivíduo é identificado, por sua conduta, de “mau elemento”.

As páginas dos diversos jornais diários estão surtidas de cenários violentos, geralmente frutos de irresponsabilidade. É muito triste e preocupante conviver com essa realidade, que choca profundamente com a parábola do “bom samaritano” (Lc 10,33). Enquanto uns violentam a vida ou apontam os violentos, outros praticam gestos de fraternidade, de cuidado e de acolhida.

Devemos entender que a misericórdia de Deus é real, que reflete seu amor para com todos, mesmo com a infidelidade das pessoas no cumprimento do mandamento do amor. Misericórdia que tem seu cumprimento na vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. O agir cristão deve ter o alvo da misericórdia, principalmente em relação aos abandonados e excluídos da convivência fraterna. 

(*) Arcebispo de Uberaba

 

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