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Força, Neymar

São poucos os casos de acusação de estupro que ganharam tanta notoriedade nacional e mundial

22/06/2019 - 00:00:00. - Por Gustavo Hoffay

São poucos os casos de acusação de estupro que ganharam tanta notoriedade nacional e mundial quanto o de Neymar. Aliás, quando as acusações e investigações não param de pipocar e fazem que determinados casos comecem a transformar-se num grande espetáculo midiático, logo penso que tratar-se de um claro sinal de que algo ou alguém está ganhando muito em função disso. Neymar sairá ileso de todo esse imbróglio, sim, e como tivesse sido apenas mais uma vítima de acusações infundadas. Tiririca, Marco Feliciano (o político e pastor) e até Charles Chaplin já tiveram seus nomes envolvidos em algum caso de abuso/violência sexual, por que não aquele atleta e dado que a sua fama de jogador é notória em todo o mundo? Não existem santos quando a libido está nas alturas e saber controlá-la é uma arte que exige grande dose de sapiência, quanto mais atraente seja o(a) parceiro (a) e as suas reais intenções. O grande problema reside na força contrária que age sobre quem provoca e quando esse dá-se por vencido em suas tentativas de controlar a natureza de quem está sendo provocado. Aí é quando o “bicho pega” e haja, sim, meios de controlar o quase incontrolável. A solução é cair fora ou, de joelhos, rezar e implorar a Deus que o “fogo” seja extinto. Danos ocorrem quando há falta de autocontrole, a pressão sobe e a válvula de escape fica entupida por forte emoção. A “coisa”, sabemos, é complicada e jamais serão encontrados rastros de anjo onde viceja a poderosa força da libido. Obviamente não estou aqui defendendo ou acusando Neymar e qualquer outro acusado de estupro, absolutamente, mas coloco em dúvida o que, em todo o mundo (penso), é tido por “tentação” e a partir do assédio ou simplesmente da presença de determinada pessoa que provoca a libido de homens ou mulheres. Se até alguns padres, bispos, pastores e outros líderes religiosos já deixaram-se atrair por seduções até mesmo intencionalmente provocadas, o que dizer quando uma fascinação sexual excessiva é exercida sobre uma pessoa comum e muitas vezes debilitada em sua força de repulsa em relação à tentação da qual é “vítima”? O tribunal popular que se forma no Brasil a partir de casos fartamente divulgados pela mídia e por envolverem pessoas famosas é algo absurdamente deplorável; casos de agressão a professores em salas de aula ou falta de assistência social a esfarrapados e famintos agonizantes em nossas ruas e praças, nem tanto. Onde está a escala de valores da nossa sociedade? O que nos interessa a vida particular de uma personalidade artística ou de algum outro profissional de destaque na mídia? Há que juntar-se a toda essa pobreza de espírito a fantástica habilidade e criatividade do brasileiro em fazer sensacionalismo sobre determinados assuntos. E se cada um cuidasse da sua própria vida, não seria melhor?

 

(*) Agente social

 

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