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Estar na Patagonia 2 - Vida selvagem

O sentimento de explorador invade aqueles que percorrem os caminhos de Darwin, apesar de todas as diferenças

16/01/2019 - 00:00:00. - Por Ilcéa Borba Marquez

O sentimento de explorador invade aqueles que percorrem os caminhos de Darwin, apesar de todas as diferenças: a começar pelo itinerário menor com todo o conforto e segurança atual, também a paisagem que nos revela a flora e a fauna remanescentes do século XVII. À medida que prosseguimos rumo ao sul da América, o entorno distingue-se pelos novos companheiros de viagem – um grupo de baleias faz o espetáculo com seu ressoprando e movimento corporal, que só conhecemos por fotos ou desenhos. De vez em quando, alguma delas mostra sua volumosa e repartida calda, elevada pelo mergulho naquela pose famosa e admiravelmente reconhecível. A assistência se contagia euforicamente, pois observávamos a verdadeira baleia da América do Sul.

Assim, baleias, lobos-marinhos, leões-marinhos, focas, albatrozes, pinguins, garças, pelicanos e até mesmo bem-te-vis acompanham o navio, quebrando a solidão do alto-mar. Aos poucos, vamos recebendo informações enriquecedoras: as baleias permanecem nessa região de maio a novembro, para o acasalamento, retornando em seguida, assim que suas crias consigam suportar os deslocamentos. Na costa patagônia abunda o pinguim-magalânico, que faz seu ninho protegendo-o do possível ataque de predadores e das marés. Cada casal põe e cuida de dois ovos, no entanto, o primeiro a nascer é sempre mais forte e recebe alimento em primeiro lugar, o que favorece seu desenvolvimento. O segundo não se desenvolve adequadamente e assim, na época da migração, ele é abandonado ou se joga ao mar, cometendo “suicídio”, se podemos assim nomear.

Darwin notou que na Terra do Fogo há dois tipos de habitats claramente diferenciados: o norte é seco e árido, como a Patagônia continental, mas o sul é montanhoso, com bosques densos e úmidos. Ele esclarece que a transição ocorre na Cordilheira dos Andes, que atravessa a ilha do oeste ao leste e, percorrendo o Parque Nacional da Terra do Fogo, vemos de perto o bosque com sua Flora Natural, que foi fonte de alimentos para os indígenas patagônicos, como a fruta-pão, possibilitando a vida das tribos que se adaptaram ao clima rigoroso da região.

Ao pensar na escassez de alimentos disponíveis para os indígenas da região, não podemos nos esquecer da antropofagia, que serviu de sustento às inúmeras tribos indígenas do Brasil e, com certeza, estendia-se aos da América do Sul como um todo; só assim eles teriam condição de sobreviver na hostilidade ambiental, que lhes proporcionava meios reduzidos de subsistência, apesar de ainda não ter obtido informação fidedigna, como também não temos aqui entre nós, a não ser através da grandiosa obra do Pe. Serafim Leite sobre a História da Companhia de Jesus no Brasil. Nos dez volumes editados encontramos descrições impressionantes sobre a crueldade dos indígenas brasileiros e os diversos martírios de missionários. 

(*) Psicóloga e psicanalista
e-mail:
ilceaborba@gmail.com

 

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