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Reflexão sobre o amor

Pensando bem, a gente acaba concluindo que não sabemos o que seja o amor

06/01/2019 - 00:00:00. - Por Padre Prata

Pensando bem, a gente acaba concluindo que não sabemos o que seja o amor, mesmo nos seus aspectos humanos. Será que não estamos programados para confundir amor com posse egoísta?

De um modo geral, manifestamos nosso amor como um gesto de posse. Amor passa, então, a ser sinônimo de ser dono da pessoa amada. Por causa desse tipo de amor possessivo, a pessoa amada perde sua liberdade e passa a ser controlada em todos os seus passos. Somos os donos de sua vida.

Quando “amamos” alguém, somos dominados pelo desejo de controlar aquela pessoa, de nos apegar a ela, de achar que, sem ela, não podemos viver.

Amar supõe uma luta interior para ver a pessoa amada como ela é, compreendê-la e aceitá-la.

Amor não é paixão. São coisas diferentes. O amor liberta, a paixão escraviza. O amor é aberto para a realidade, a paixão é egoísta e destrutiva, quer ser o “dono” da pessoa amada. Procura regulamentar seu comportamento.

Amar não é apaixonar-se. A paixão gera um ciúme doentio, que é a prova mais cruel do egoísmo. O ciúme possessivo fere e destrói o amor. Amor é libertação. Ciúme possessivo é doença. As pessoas inseguras são facilmente presas pelo ciúme. O ciúme gera sofrimento e desconforto. Amor não se confunde com propriedade. Nada mais triste do que ouvir alguém dizer a outra: “você é minha” ou “você é meu”. Amor é gratuidade. Por isso, não podemos impor aos outros nosso modo de ser e de pensar. Quando uma pessoa se agarra desesperadamente a outra é porque a outra é instrumento de satisfação para seu “ego” pessoal. No caso, a pessoa ama é a si mesma. Amo alguém porque aquele alguém me satisfaz, me faz bem, me agrada. Por isso, gosto dela.

Bem, depois de tudo isto, vem-me a pergunta: Será que eu amo a Deus? Amo mesmo ou O procuro só porque Ele me ajuda e me protege? Qual é o sentido de minha oração? É só pedido? Talvez eu ache que amo a Deus, mas na verdade, (quem sabe?) eu estou amando é a mim mesmo? 

Uma pergunta para mim e para você: Não seria este início de um Novo Ano uma boa ocasião para refletir, para deixar de lado a comilança e pensar um pouco naqueles irmãos nossos que, como Jesus, estão ainda hoje nascendo em cochos, enrolados em trapos, sentido o cheiro, não de tender e castanhas, mas de urina de animais e coisas piores?

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