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Sua excelência o WhatsApp

O WhatsApp é um aplicativo de mensagens instantâneas e chamadas de voz para smartphones

09/12/2018 - 00:00:00. - Por Márcia Moreno Campos

O WhatsApp é um aplicativo de mensagens instantâneas e chamadas de voz para smartphones lançado em 2009. Pasmem, conseguimos viver muito tempo sem ele, o que soa inverossímil para a meninada de hoje. Em 2012 ele se tornou quase que obrigatório entre os brasileiros e já no ano seguinte alcançou a marca de 800 milhões de usuários no mundo, com 30 bilhões de mensagens enviadas e recebidas diariamente. O WhatsApp foi comprado pelo Facebook em 2014 por 22 bilhões de dólares e só tem 55 empregados para gerenciar esse fenômeno de comunicação presente em 32 idiomas diferentes. Seus usuários o checam em média 23 vezes por dia. 

Resolvi chamá-lo de “excelência” porque ele é reverenciado por todos nós, regendo nossas vidas e se intrometendo em nossas conversas e atividades sem pedir licença. Dificilmente uma comunicação real entre duas ou mais pessoas não é interrompida por apitos e iluminação de celulares que nos desviam a atenção e nos ligam imediatamente ao mundo virtual, fazendo-nos esquecer de todo o resto. Virou febre e é usado indistintamente no lazer, no trabalho e no trânsito. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas mediu o impacto do uso em excesso dos aparelhos de celular no desempenho acadêmico, constatando que cada 100 minutos, em média, de uso diário fazem o aluno recuar 6,3 pontos no ranking de desempenho da FGV. Se esses 100 minutos ocorrem no horário de aula, o impacto dobra. Participar de inúmeros grupos, ter a comunicação com pessoas em qualquer lugar do mundo ao alcance, receber notícias em tempo real nos deslumbraram. Estamos lambuzados dessa nova tecnologia, que trouxe tantos benefícios, mas também tem gerado consequências. A humanidade ficou mais rasa e imediatista. Novas gerações sofrem do déficit de atenção acentuado e dificilmente se concentram na leitura de livros e textos mais extensos. Sem contar que a disseminação desenfreada de notícias falsas virou prática rotineira. 

O ser humano não trilha com facilidade o caminho do meio. O desenvolvimento acelerado da Inteligência Artificial (IA) nos permite supor que logo seremos contemplados com a descoberta de um algoritmo da verdade capaz de deletar “fake news” antes de serem repassadas, e um outro algoritmo, o da moderação, que impeça o uso abusivo do aplicativo e dispare choques nos motoristas inconsequentes que teimam em usá-lo no trânsito. A humanidade imprevidente precisa ser socorrida pela inteligência artificial.

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